sexta-feira, 17 abril, 2026

Três novidades que tornam a Copa da Rússia a mais tecnológica da história

Sala do VAR da Copa do Mundo de 2018, em Moscou – Julio Gomes/UOL

por Rodrigo Lara Colaboração para o UOL, em São Paulo 20/06/2018

O futebol é tradicionalmente um esporte avesso aos avanços tecnológicos. Prova disso é que apenas nesta Copa do Mundo da Rússia estamos vendo o uso do árbitro de vídeo, uma espécie de tira-teima no qual um grupo de árbitros revisam jogadas duvidosas.

O árbitro de vídeo, no entanto, não é a única novidade que a FIFA levou para a Rússia. Além deles, há pelo menos outras duas novidades capazes de mudar resultados de partidas. Em todas elas, a intenção é a mesma: evitar que erros de arbitragem em lances capitais mudem os rumos da competição.

Essa é a principal novidade da Copa da Rússia. Chamado de VAR (Video assistant referees, ou árbitros assistentes de vídeo em português), o sistema tira-teima já havia sido usado em competições oficiais, como a Copa das Confederações, ainda que de maneira experimental.

A FIFA selecionou 13 árbitros que apenas cumprirão a função de analisar vídeos durante a Copa. Além deles, a entidade também escolheu outros árbitros que dividirão a função de assistentes de vídeo e também atuarão em campo. Outros quatro profissionais ficam com a responsabilidade de operar os replays.

São 33 câmeras em diversos ângulos, sendo oito delas capazes de gerar imagens em supercâmera-lenta, outras quatro em ultra câmera-lenta e duas específicas para averiguar jogadas de impedimento. Além disso, das oitavas de final em diante haverá mais duas câmeras instaladas atrás de cada gol, capazes de filmar em câmera lenta.

A utilização do VAR pode partir tanto do árbitro de campo quanto da central de controle. Os árbitros de vídeo não tomam decisões, apenas analisam as jogadas polêmicas e sugerem ações para o árbitro de campo, que também pode rever o lance em uma tela de TV antes de decidir.

Relógio que avisa sobre gol Além do sistema de fone de ouvido e microfone, os árbitros carregam no pulso outro ponto importante de contato com as tecnologias adotadas para a Copa do Mundo.

Trata-se de um smartwatch, ou relógio inteligente, chamado Big Bang Referee 2018 FIFA World Cup Russia. O nome longo se refere ao dispositivo criado pela Hublot especificamente pela competição.

Ele conta com uma tela Amoled de 400 x 400 pixels, com 287 ppi de resolução. Em seu interior, há acelerômetro, sensor de detecção de movimentos, microfone, giroscópio e GPS. A bateria é capaz de durar por um dia.

Por meio do dispositivo, os árbitros são capazes de receber notificações do VAR e também são avisados quando uma bola ultrapassa a linha do gol, o que é detectado por meio da tecnologia de linha do gol, que falaremos adiante.

Quem é fã da Copa do Mundo ou gosta de relógios tem a possibilidade de adquirir um exemplar do dispositivo. Os interessados terão que preparar o bolso: a Hublot cobra R$ 17 mil por cada unidade.


Goal-line technology Essa não é exatamente uma novidade no mundo do futebol, uma vez que se trata de um recurso utilizado nos campeonatos inglês, alemão, holandês e italiano.

Por meio de câmeras suspensas, a tecnologia da linha do gol analisa lances polêmicos, determinando se houve ou não gol em momentos nos quais a bola fica próxima de cruzar a linha – ou faz isso por muito pouco.

Para funcionar, o sistema, desenvolvido pela empresa Hawk-Eye, utiliza sete câmeras em cada gol. Normalmente elas ficam instaladas no alto dos estádios.

Se em um lance a bola cruza a linha, o sistema imediatamente manda um sinal para o relógio do árbitro. Para isso, as câmeras detectam a posição da bola e processam as imagens, permitindo uma localização milimétrica do objeto.

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