Instituto Pensar - Vedere Bahia e Doppo Morire

Vedere Bahia e Doppo Morire

"Oropa, França, Bahia", expressão antiga do folclore ainda do século XIX, ironicamente significativa do caráter universal da Bahia, já foi título de poema de Ascenso Ferreira e letra de samba carioca. Agora, o New York Times inclui a boa terra como um dos 31 lugares do mundo que não se pode deixar de conhecer.

"Vedere Bahia e doppo morire". √Č o √ļnico destino tur√≠stico brasileiro citado pela mais importante revista norte americana. Como se explica esse sucesso da Bahia? Os americanos descobriram, agora, o que n√≥s j√° sab√≠amos atrav√©s da pesquisa do Minist√©rio do Turismo realizada pela Vox Populi e que confirma a Bahia como destino preferido tanto dos brasileiros que j√° viajaram como aqueles que pretendem viajar. Neste ver√£o hot√©is, pousadas, resorts, flats, est√£o com mais de 90% de ocupa√ß√£o. Voos cheios.

Filas em restaurantes e nos tabuleiros das baianas de acarajé de Salvador, Porto Seguro, Morro de São Paulo, Praia do Forte, Ilhéus, Lençóis, Prado, Caravelas. Só de uma operadora turística foram 68 voos charters em dezembro de 2009.

Nosso governo tem alguma coisa a ver com isso? Tem. Talvez seu principal mérito tenha sido o reconhecimento, a valorização e a crítica responsável por tudo que foi feito antes de nós. Para isso ousamos formular a pequena teoria dos três grandes saltos do turismo da Bahia.
O primeiro entre as d√©cadas de 30 e 70 do s√©culo XX com a venda para o mundo da imagem da magia, da poesia e da extraordin√°ria capacidade de querer bem do nosso povo. Somos um produto litero-musical revelado pelos livros de Jorge Amado e pela m√ļsica de Dorival Caymmi, antecedidos pela poesia libert√°ria de Castro Alves e seguidos pela for√ßa intelectual e art√≠stica de Jo√£o Ubaldo Ribeiro, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Carib√©, Capinam, Cu√≠ca de Santo Amaro, Genaro, Mario Cravo, Riach√£o, e tantos, tantos e tantos outros.

O segundo salto aconteceu, entre as tr√™s √ļltimas d√©cadas do s√©culo XX e primeira do s√©culo XXI, basicamente sob a administra√ß√£o do chamado "carlismo", paradoxalmente conservador e modernizante. Caracterizou-se pela implanta√ß√£o da infraestrutura f√≠sica, estradas e aeroportos, com pol√≠ticas de atra√ß√£o de investimentos em hot√©is e, principalmente, com a organiza√ß√£o de institui√ß√Ķes governamentais com quadros de alto n√≠vel t√©cnico. A Bahiatursa, por exemplo, √© refer√™ncia nacional e internacional do turismo baiano. Ainda nesse segundo salto implementou-se a promo√ß√£o profissionalizada do destino tur√≠stico da Bahia com pesados e certeiros investimentos em propaganda e marketing. Cultura e turismo numa √ļnica estrutura administrativa. Jun√ß√£o t√£o acertada √† √©poca, quanto a sua separa√ß√£o j√° no governo Wagner.

O patrim√īnio t√©cnico e cultural acumulado nesses 80 anos de turismo na Bahia √© que nos possibilitou empreender o que denominamos de o Terceiro Grande Salto que dever√° preencher as lacunas e corrigir os problemas das fases anteriores. Os principais eixos da estrat√©gia do Terceiro Salto correspondem, exatamente, as essas lacunas: inova√ß√£o, qualidade e integra√ß√£o econ√īmica. Agora com os primeiros resultados j√° aparecendo, estamos inovando com novos produtos, novos servi√ßos e novas tecnologias, principalmente na informa√ß√£o.

Quem veio e quem vem ao carnaval da Bahia pode conferir alguns desses novos serviços como o receptivo do carnaval com mais de 600 guias e monitores ligados ao Disque Bahia Turismo funcionando, permanentemente, em três línguas 24 horas ao dia. E em seguida ao Carnaval, o Espicha Verão, um novo produto turístico que juntamente com o eno-turismo às margens do Rio São Francisco.

O turismo étnico-afro referido pelo NYT. O São João da Bahia transformado em produto turístico com razoável sucesso. O GP Bahia da StockCar. Além dos novos produtos e serviços, novos segmentos trabalhados profissionalmente como o turismo GLS, o turismo rural, o turismo religioso e o turismo náutico. Inovação, enfim.

Estamos enfrentando o grande desafio da qualifica√ß√£o da m√£o de obra e da capacita√ß√£o empresarial multiplicando por dez os investimentos que foram feitos. O avan√ßo nessa √°rea √© lento, mas j√° come√ßamos a se sentir os resultados. E, finalmente, a grande batalha para superar o mais dif√≠cil problema estrutural do modelo tur√≠stico baiano: a implanta√ß√£o de enclaves hoteleiros com pouca ou nenhuma articula√ß√£o com seus entornos econ√īmicos e sociais regionais. A chamada produ√ß√£o associada ao turismo √© a resposta para essa quest√£o, eixo estrat√©gico do Terceiro Salto definido como Integra√ß√£o Econ√īmica.

Tudo isso talvez explique um pouco o sucesso da Bahia no turismo e faça com que os brasileiros e os leitores do New York Times continuem preferindo a Bahia.

Domingos Leonelli



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