Instituto Pensar - A Nova Bahia De Todos Nós

A Nova Bahia De Todos Nós

"Como escrever juntos a história de uma nova Bahia"

 Mais de duzentos anos depois da Revolução dos Alfaiates e do enforcamento dos mártires negros desta sedição – Lucas Dantas, Luiz Gonzaga, João de Deus e Santos Lima – e poucos anos antes do bicentenário da guerra de libertação nacional que culminou com a verdadeira independência do Brasil em 2 de julho de 1823, considero que é nosso dever esforçarmo-nos ao máximo para assumir a herança das mais emocionantes tradições revolucionárias baianas.

Trabalhadores e pessoas simples do povo identificam o Presidente Lula como um dos seus, um imigrante nordestino, operário de linguagem simples e clara, conhecedor do dia a dia difícil e suado dos brasileiros. Existe algo de esperança revolucionária neste amor do povo por Lula. Parte dessa força amorosa nos foi transferida para vencer as eleições de 2006 na Bahia, continua uma das mais poderosas forças conservadoras do Nordeste e do Brasil.

Outro componente dessa decisão foi nos considerarem (ou considerarem Jaques Wagner) como herdeiros das lutas libertárias da Bahia, de seus heróis e heroínas, de Lucas da Feira, de Maria Quitéria e Marighella. Herdeiro também dos acertos e erros de nossos companheiros que chegaram ao governo e a prefeituras em condições absolutamente desfavoráveis e não puderam realizar as transformações que sonhamos.
Agora é outra história. Agora é uma nova história.

Precisamos ser capazes de mudar a história da Bahia no sentido de submeter a ordem da distribuição dos resultados do desenvolvimento. Nosso crescimento econômico não foi tão grande como poderia ser, mas, sem dúvida, existiu e aí estão a Petrobrás, o Pólo Petroquímico, a agricultura, os portos, os serviços, o turismo e recentemente a indústria automobilística.

Mas nossa Região Metropolitana, justamente a área onde os sinais desse crescimento são mais evidentes, encontra-se entre as maiores concentrações de desemprego do Brasil.

Educação, saúde, habitação: os índices e as fotografias da realidade, são revoltantes.

O modelo de desenvolvimento da Bahia até então existente é escandalosamente injusto, discriminatório e predatório.
E as elites políticas, econômicas e tecnocráticas, inclusive as elites dirigentes do Governo do Estado, compactuaram com este modelo. Conscientes da sua perversão antissocial, alguns setores beneficiam-se de privilégios oriundos das políticas e dos privilégios, bem como dos favorecimentos dos Governos anteriores. Compras, obras e serviços superfaturados em várias áreas.

O pior é que esses privilégios e favorecimentos, longe de estimularem uma burguesia progressista e empreendedora, inibiu a ação de verdadeiros empreendedores de fora que hesitavam em se instalar na Bahia ou mesmo de baianas que daqui saíram, porque não se sentiram apadrinhados. E sem a “benção” do padrinho tudo era difícil.

Isso acabou. E acabou para sempre. Mesmo que não venhamos a ganhar as eleições de 2010, vamos implantar um sistema de liberdade e um modelo de empreendedorismo que não permitirá retrocessos.
A Bahia de Todos Nós não é um simples slogan publicitário. É uma declaração de princípios. Se a Bahia é de todos nós, ela não tem donos. Nem os antigos, nem novos. Nem os que estão hoje no governo, nem nossos sucessores, nem os sucessores de nossos sucessores.

A Bahia é de todos nós, porque os cidadãos ganharam o direito – e principalmente a sensação – de que os donos da Bahia são todos os baianos e brasileiros que aqui vivem.

É preciso aproveitar este momento histórico para inventar, criar, investir energia pessoal, conhecimento e dinheiro em ações inovadoras.
Dar ideias. Apreciar com generosidade ideias diferentes das nossas, mas que podiam ser boas.

Numa Bahia de Todos nós, saber não é só permitido como é desejável.
Se o Governo não tiver dinheiro para concretizar sua ideia, junte-se a ele para ir buscar o dinheiro ou o jeito de realizar o sonho com menos dinheiro ou dinheiro nenhum.

É preciso fazer da honestidade uma tarefa uma tarefa de todos, dos que estão em postos de comando governamental, mas também de todos os cidadãos. Denunciar a irregularidade, a malversação, sabendo que dinheiro roubado de uma obra pública ou de uma mercadoria comprada com preço superfaturado está sendo roubado de uma criança que poderia estar na escola, de um idoso que precisa de um remédio, de cidadão que pagou impostos e precisa de segurança pública. Todo dinheiro público e privado vem do trabalho do povo e dos empreendedores. O dinheiro do governo é de impostos não cai do céu. Na Bahia de todos nós o dinheiro é de todos nós. Precisamos zelar por cada tostão.

Domingos Leonelli
2008



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