Instituto Pensar - Informalidade avança no país e faz aumentar desigualdade

Informalidade avança no país e faz aumentar desigualdade

A desigualdade entre os rendimentos m√©dios do brasileiro aumentou no segundo trimestre de 2019. O dado est√° na Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econ√īmica Aplicada (Ipea), na se√ß√£o de Mercado de Trabalho, da divulgada hoje (18). De acordo com o documento, as fam√≠lias de renda muito baixa tiveram queda de 1,4% nos seus rendimentos m√©dios reais no per√≠odo, mas o segmento mais rico da popula√ß√£o registrou eleva√ß√£o salarial de 1,5%.

A técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea Maria Andreia Parente disse que essa desigualdade ocorreu pela composição de dois movimentos distintos. O primeiro é que, de fato, os indivíduos lotados nos domicílios de renda mais alta tiveram ganhos nominais de salários maiores e, segundo, a inflação no período foi maior para as famílias de mais baixa renda.

No segundo trimestre de 2019 houve impacto maior dos reajustes de energia el√©trica, das tarifas de √īnibus e dos medicamentos para as pessoas de renda mais baixa. "Em 2019, a gente teve alta de pre√ßos em itens que pesam muito na cesta de consumo dos mais pobres, e isso ajuda a explicar porque essas fam√≠lias tiveram queda de sal√°rio¬Ē, explicou.

A informalidade também fez aumentar a desigualdade. De acordo com a técnica, o trabalhador na faixa que remunera até menos de um salário mínimo, em geral, é o informal e está no que se chama de bico e, por isso, tem os menores ganhos salariais.

Jovens

Tamb√©m no segundo trimestre de 2019, na compara√ß√£o com o mesmo per√≠odo do ano anterior, apesar de ainda em patamar elevado, o desemprego registrou recuo, em termos absolutos, na faixa de trabalhadores mais jovens, passando de 26,6% para 25,8%. O estudo mostra que diferentemente de trimestres anteriores, quando a queda da desocupa√ß√£o entre os jovens decorria, em especial, da contração da força de trabalho, no segundo trimestre de 2019 ocorreu por causa da expansão de 1,7% da ocupa√ß√£o, o que provocou a melhora de desempenho da popula√ß√£o ocupada com idade de 18 a 24 anos.

Andreia Parente disse que o mercado de trabalho melhora como um todo para todas as faixas, mas teve reflexo mais positivo entre os mais jovens. Para a técnica do IPEA, é um crescimento forte que não era registrado em vários trimestres.

"Isso acontece porque esse trabalhador como foi mais penalizado na crise tinha um contingente muito grande de desocupados, com essa melhora do mercado de trabalho, essa popula√ß√£o t√™m conseguido retornar ao mercado de trabalho. A gente ainda tem um contingente grande de jovens desocupados, mas a situa√ß√£o no segundo trimestre para esse grupo foi mais favor√°vel. Eles conseguiram voltar para o mercado de trabalho com uma for√ßa maior¬Ē, disse.

O segmento dos trabalhadores com mais de 60 anos foi o √ļnico que não apresentou recuo na taxa de desocupação, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Mesmo tendo alta de 5,3%, essa faixa da popula√ß√£o ocupada ainda apresentou avan√ßo de 0,4 ponto percentual na taxa de desemprego. Subiu de 4,4% para 4,8%. Na comparação interanual, a desocupação dos trabalhadores com idade entre 25 e 39 anos e entre 40 e 59 anos passou de 11,5% e 7,5%, respectivamente, em 2018, para 11,1% e 7,2%, em 2019.

Escolaridade

Nos dados referentes ao grau de escolaridade, os subgrupos tiveram queda na desocupação no 2¬ļ trimestre de 2019, com exce√ß√£o para o dos trabalhadores com o ensino fundamental completo. Em termos relativos, os recuos mais expressivos foram entre as pessoas com instrução fundamental incompleta e superior, ambos tiveram queda de 4% na desocupação.

Patamar semelhante, no entanto, foi causado por movimentos diferentes. Entre os menos escolarizados foi resultado da retração de 3,4% da força de trabalho diante de queda de 2,9% na ocupação. J√° nos que t√™m escolaridade mais elevada, a melhora da desocupação foi consequ√™ncia da expansão de 6,3% da popula√ß√£o ocupada e do ritmo superior √† expansão de 5,9% da popula√ß√£o economicamente ativa. A maior retração absoluta (0,6 p.p.) ocorreu entre os trabalhadores com ensino médio incompleto.

"Os trabalhadores com maior n√≠vel de escolaridade conseguem se manter por mais tempo no emprego. S√£o sempre os √ļltimos a serem demitidos, e uma vez demitidos, s√£o aqueles com mais facilidade de conseguir uma coloca√ß√£o no mercado de trabalho. O inverso vale para os menos qualificados. Quanto menor a qualifica√ß√£o desse trabalhador √© sempre mais f√°cil ele ser demitido, e dado que ele est√° no desemprego, √© mais dif√≠cil voltar ao mercado de trabalho¬Ē, explicou Andreia Parente.

Empregos

A técnica destacou que embora ainda tenha um cenário desfavorável, o emprego no Brasil está reagindo. Segundo ela, há um momento forte da ocupação que cresce mais firmemente nos setores informais, apesar de já ser notada nos empregos com carteira assinada.

De acordo Andreia Parente, a taxa de desemprego s√≥ n√£o tem ca√≠do mais porque aumenta junto o n√ļmero de trabalhadores que est√£o chegando no mercado de trabalho para conseguir uma coloca√ß√£o. Al√©m disso, a taxa de inatividade na economia brasileira tem ca√≠do. "Mais indiv√≠duos com idade de trabalhar est√£o no mercado, ou trabalhando ou √† procura de uma coloca√ß√£o¬Ē, completou a t√©cnica.

O desalento, mesmo ainda alto, tamb√©m come√ßou a ceder. "No segundo trimestre de 2019 a gente tem uma queda no contingente de desalentados e a gente consegue ver tamb√©m que pelos dados de transi√ß√£o tem ca√≠do o n√ļmero de pessoas que v√£o para a inatividade por conta do desalento. Tamb√©m tem aumentado o n√ļmero de pessoas que at√© ent√£o eram desalentadas e est√£o, pelo menos, se sentindo aptas a voltar ao mercado de trabalho para conseguir uma coloca√ß√£o. √Č um reflexo n√£o s√≥ da melhora que, de fato, est√° acontecendo, mas tamb√©m da percep√ß√£o¬Ē, avaliou.

A t√©cnica disse que os trabalhadores demitidos são os que t√™m menos tempo de permanência no emprego. O documento indica, que, na média dos últimos 12 meses, na indústria, no comércio e nos serviços quase a metade dos demitidos tinham menos de um ano, mas na construção civil o total chega a 62%. J√° a menor parcela dos trabalhadores dispensados se refere aos que tinham mais de cinco anos de permanência no emprego. Na indústria de transformação, eles corresponderam a 14%, mas na construção civil não chegaram a 5%.

Na vis√£o de Andreia Parente, diante da expectativa de melhora da atividade econ√īmica do Brasil a partir do segundo semestre do ano, o mercado de trabalho deve continuar desempenho mais positivo, principalmente ao que j√° tem sido visto com rela√ß√£o √† ocupa√ß√£o.

De acordo com ela, a taxa de desemprego ainda pode cair de forma lenta, dado que ainda tem muita gente desocupada e desalentada e que precisa ser incorporada ao mercado de trabalho, mas a ocupa√ß√£o deve continuar se expandindo a taxas pr√≥ximas √†s atuais que j√° s√£o significativas. "A expectativa √© de melhora do n√≠vel de ocupa√ß√£o da economia brasileira em rela√ß√£o ao mercado de trabalho¬Ē, disse.

Fonte: Ag√™ncia Brasil 



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