Instituto Pensar - Economia Criativa ganha espa√ßo e torna-se alternativa a profiss√Ķes tradicionais

Economia Criativa ganha espa√ßo e torna-se alternativa a profiss√Ķes tradicionais

Marco Riveiros, sócio e fundador da Zero Treze Innovation Space: economia focada em resultados — Foto: Daniel Gois/Arquivo Pessoal.

por Daniel Gois* em 04/05/2019. 

Especialistas apontam a mudança nos mercados como inevitáveis, mas positivas para os empreendedores.

Daqui a cinco ou dez anos, 80% das profiss√Ķes que conhecemos n√£o existir√£o mais. √Č o que prev√™ Marco Riveiros, s√≥cio e fundador da Zero Treze Innovation Space. Ele alerta para o crescimento da economia criativa e o impacto das mudan√ßas tecnol√≥gicas. "Nos pr√≥ximos anos, as pessoas estar√£o sendo formadas em profiss√Ķes que hoje n√£o existem. Todos os mercados v√£o sofrer transforma√ß√Ķes, umas mais e outras menos agressivas¬Ē.

A praticidade √© um ponto importante do mercado criativo. As inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas e a criatividade permitem que o neg√≥cio possa surgir e crescer dentro da pr√≥pria resid√™ncia do empreendedor, por exemplo. "Tem muita gente dentro da economia criativa que n√£o √© CNPJ¬Ē, aponta Santiago Gonzalez, um dos fundadores do Laborat√≥rio de Inova√ß√£o de Impacto Lab4D. "S√£o artistas, arquitetos, designers, freelancers. O discurso da linha de emprego vai mudando. Voc√™ gera valor a partir da criatividade, e isso pode ou n√£o ser empresa¬Ē.

Na contram√£o do mercado convencional, a economia criativa gerou 25.500 postos de trabalho e R$ 171,5 bilh√Ķes em 2017, o que representou 2,61% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo dados da Federa√ß√£o das Ind√ļstrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), respons√°vel pelos c√°lculos nesse segmento.

"√Č uma economia muito focada na entrega de resultados¬Ē, aponta Marco Riveiros. "√Äs vezes, voc√™ pode demorar apenas duas horas para desenvolver o necess√°rio. O modelo de oito horas trabalhadas est√° morrendo. As empresas que continuarem trabalhando dessa forma ter√£o dificuldade para reter talentos¬Ē, ressalta.

H√° cinco anos, Eduardo Bittencourt tomou a decis√£o de deixar o emprego com carteira assinada para viver do empreendedorismo. Hoje, CEO e fundador da aceleradora de startups Spacemoon, ele destaca que o trabalho bra√ßal tende a ser substitu√≠do ainda mais pelas m√°quinas, o que deve gera mais espa√ßo para o mercado criativo. "Vai ter emprego para quem faz o que a m√°quina n√£o faz. √Č quest√£o de ideias, de novos modelos de neg√≥cio. Quanto mais se inova, maior √© a chance de se ter um bom faturamento¬Ē.

Os microempreendedores e microempresas s√£o grandes alvos do mercado criativo, mas segundo Riveiros, a decis√£o de empreender passa por diversos fatores. "Precisa chegar √† conclus√£o de que isso pode gerar valor n√£o s√≥ para uma institui√ß√£o, mas tamb√©m para um ou mais mercados. A necessidade de renda tamb√©m √© importante, se precisa ser mensal fixa ou uma que o pr√≥prio empreendedor possa construir. No come√ßo √© um risco, que tamb√©m pode ser um impulso¬Ē.

Santiago Gonzalez tamb√©m destaca a possibilidade de criar um neg√≥cio a partir do talento e criatividade de cada um. "Voc√™, naturalmente, vai fazer aquilo com alegria, alma e prazer. √Č quando empreender vira algo divertido¬Ē.

Habilidades necess√°rias

Para Thiago Ferauche, professor de desenvolvimento de aplicativos para m√≠dias digitais, o equil√≠brio entre conhecimento t√©cnico e criatividade √© fundamental para o profissional de economia criativa. "N√£o d√° para priorizar um ou outro. √Č preciso enxergar coisas novas, que n√£o est√£o ali naquele momento, mas tamb√©m √© necess√°ria a capacidade t√©cnica para fazer aquilo acontecer¬Ē.


Ferauche destaca, ainda, a capacidade de ser cr√≠tico como outra caracter√≠stica relevante. "Precisa ser uma pessoa incomodada com algo e sente a necessidade de inovar. O que motiva a economia criativa √© a vontade de resolver problemas. Os grandes aplicativos que deram certo partiram dessa necessidade. Nem sempre √© quest√£o de ganhar dinheiro. O modelo de neg√≥cio para lucrar vem depois¬Ē.

Riveiros aponta o lado emocional e a capacidade de intera√ß√£o social como habilidades necess√°rias, mas faz uma ressalva quanto √† qualifica√ß√£o dos profissionais. "O gargalo ainda √© a educa√ß√£o. Todas as empresas do Pa√≠s, mesmo que sejam conservadoras, ter√£o que passar por uma transforma√ß√£o digital. Mas quem s√£o os profissionais que v√£o proporcionar essa transforma√ß√£o? Eles ainda precisam ser formados, porque n√£o existem. Temos milh√Ķes de desempregados por falta de qualifica√ß√£o, ou porque s√£o qualificados em algo que j√° n√£o est√° mais em evid√™ncia¬Ē.

"O mais importante √© a resili√™ncia¬Ē, aponta Bittencourt. "√Č preciso continuar batalhando pelo seu prop√≥sito. √Č preciso estar aberto a conhecimentos, partilhar essa ideia para ter novos insights. √Č preciso se apaixonar pelo problema, n√£o pela solu√ß√£o. Quando voc√™ est√° aberto a novas solu√ß√Ķes, tem uma chance maior de dar certo¬Ē.

O CEO da Spacemoon lembra que a economia criativa pode ser uma sa√≠da para os cerca de 13 milh√Ķes de desempregados no Brasil. "Estamos num momento muito prop√≠cio para o empreendedorismo. Cada vez mais as pessoas perderam os empregos e a criatividade teve que entrar em a√ß√£o. Por natureza, o povo brasileiro j√° √© muito criativo. A ocasi√£o potencializou ainda mais. A internet ajuda as pessoas informais a alcan√ßarem uma escala maior, antes mesmo de passar para um CNPJ ou sede f√≠sica pr√≥pria¬Ē.

*Sob supervis√£o de Alexandre Lopes.




0 Coment√°rio:


Nome: Em:
Mensagem: