Instituto Pensar - Com fake news e sem fiscalização, sites bolsonaristas crescem na internet

Com fake news e sem fiscalização, sites bolsonaristas crescem na internet

Sites bolsonairstas, que se apresentam como noticiosos e imparciais, disseminam desinformação e propaganda política disfarçada (Imagem: Socialismo Criativo/AFP)

Não é novidade que o bolsonarismo utiliza o espaço virtual para propagação de desinformação e ferramenta de agrupamento de correligionários em período eleitoral. Contudo, sites bolsonaristas, através de links compartilhados em massa em grupos de WhatsApp e Telegram e impulsionamentos em redes sociais, alcançaram números preocupantes.

Somente em julho, o canais de distorção bolsonarista receberam 48,2 milhões de visitas. Segundo a empresa de medição de audiência Similar Web, o alcance é maior do que o de sites de jornalismo profissional e de domínios considerados de esquerda.

Disfarçados de veículos jornalisticos sérios e parciais, os sites bolsonaristas publicam fake news e propaganda eleitoral dos candidatos de direita apoiados por Jair Bolsonaro (PL). "Muitos são propaganda disfarçada de jornalismo. As pessoas não percebem isso, o que aumenta o grau de persuasão e manipulação?, afirma Marie Santini, diretora do Netlab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Como a legislação é vaga, esses sites não precisam cumprir exigências que veículos com concessão pública cumprem, como espaço proporcional aos candidatos. "Não há transparência, o que cria desequilíbrio?, acrescenta Santini.

Avanço estratosférico do bolsonarismo na internet

Em julho, o ecossistema bolsonarista teve mais do que o dobro de acessos de sites identificados como de esquerda ? 23,4 milhões de visitas, no total ?, ainda de acordo com a Similarweb.

Na comparação com páginas de veículos de imprensa, os domínios conservadores analisados tiveram, juntos, audiência superior à dos sites do jornal O Estado de S. Paulo (21,85 milhões) e Poder 360 (7,24 milhões), por exemplo, mas inferior aos números de Folha de S. Paulo (52,83 milhões) e O Globo (77,14 milhões).

Muitos desses sites são promovidos nas redes sociais pelo presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e aliados, o que aumenta o tráfego e, consequentemente, a monetização por meio de anúncios digitais via Google e outras empresas.

Disfarçados de jornais sérios, sites bolsonaristas se apoiam em fake news e opiniões direitistas

A maioria dos domínios bolsonaristas se apresentam como veículos sérios e imparciais, mas exibem um direcionamento político à favor de candidatos apoiados pelo clã Bolsonaro e se apoiam em informações falsas para distorcer a realidade.

Cidade Revista, por exemplo, apresenta-se como "site de notícias e entretenimento no qual o leitor vai encontrar credibilidade, imparcialidade e informação?.

Quem registrou o domínio foi Heckel Pedreira, candidato a deputado federal na Bahia pelo PTB. No site, além de conteúdo favorável a Bolsonaro, há vários textos sobre o empresário, uma "forte liderança de Camaçari?, "com ideais de direita que defendem Deus, pátria, família e liberdade?.

Folha da Política Ã© outro site a publicar textos com desinformação e conteúdos opinativos como se fossem notícias: "Moraes assume presidência do TSE exaltando a urna eletrônica que país nenhum quer por ser altamente fraudável? ? não há evidências de que o sistema seja fraudável ?, e "Bolsonaro, o melhor do mundo, é ovacionado aos gritos de ?MITO? pela população de Belo Horizonte? são exemplos.

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Campeão de audiência dentro do ecossistema bolsonarista, com 15 milhões de visitas em julho, o Terra Brasil Notícias circula conteúdos como "Era cachaça? Lula vê Bolsonaro em posse de Moraes no TSE e bebe líquido irreconhecível?.

O site, que já foi prestigiado por Bolsonaro em um vídeo, teve inúmeros conteúdos classificados de "falsos? por agências de checagem.

Para Marie Santini, diretora do Netlab, da UFRJ, os dados mostram que o ecossistema de sites bolsonaristas é muito maior do que se imagina. "Existem os sites mais conhecidos, com muita audiência, mas eles são só a ponta do iceberg. Há inúmeros sites menores surgindo a todo momento.?

Com informações da Folha de S. Paulo



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