Instituto Pensar - Inovação e Economia Criativa como estratégia de desenvolvimento

Inovação e Economia Criativa como estratégia de desenvolvimento

por: Domingos Leonelli 


Foto: Reprodução/Mundo Business

O bin√īmio Inova√ß√£o e Economia Criativa, na vis√£o do PSB, corresponde a um s√≥ tempo a conjuntos de atividades inerentes a cada um dos termos desse bin√īmio e tamb√©m a uma estrat√©gia de desenvolvimento econ√īmico mais geral.

O conjunto ligado √† Economia Criativa abrange um grande leque de atividades onde se incluem o desenvolvimento de softwares inclusive para TIC (Tecnologia da Informa√ß√£o e Comunica√ß√£o), o com√©rcio, a ind√ļstria, a agricultura e a intelig√™ncia da log√≠stica. De forma destacada e basilar incluem, tamb√©m, as produ√ß√Ķes culturais em suas m√ļltiplas linguagens, o design, a arquitetura, a publicidade e a √°rea editorial que configuram a economia da cultura. O turismo ? por suas articula√ß√Ķes com o patrim√īnio hist√≥rico, a gastronomia, a frui√ß√£o cultural das viagens e as modernas tecnologias de hospedagem -, tamb√©m deve ser inclu√≠do entre as atividades da Economia Criativa.

A inova√ß√£o e a criatividade, como fatores presentes em toda a hist√≥ria do progresso humano, ganharam uma nova dimens√£o econ√īmica no curso da revolu√ß√£o tecnol√≥gica que resultou na Era Digital. Tanta import√Ęncia que a gera√ß√£o de valor e a forma√ß√£o de capital n√£o s√£o mais determinadas apenas pelos meios de investimento em capital fixo (m√°quinas, im√≥veis, ?) mas, predominantemente, por investimentos em inova√ß√£o e criatividade: softwaresdesign, intelig√™ncia em log√≠stica, marca e capital intelectual.

Essa mudan√ßa mundial dos paradigmas de produ√ß√£o, comercializa√ß√£o e consumo, imposta pela revolu√ß√£o tecnol√≥gica, exige do Brasil mais do que o est√≠mulo a setores tradicionais da economia. Imp√Ķe-se um novo modelo de desenvolvimento que tenha como eixo central a Inova√ß√£o e a Economia Criativa. E √© nesse sentido que o bin√īmio se constitui em uma estrat√©gia de desenvolvimento.

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O Brasil não pode continuar figurando apenas com um grande consumidor de produtos tecnológicos. Precisa liderar processos produtivos sofisticados que proporcionem agregação de valor às mercadorias, tanto no mercado interno como em cadeias globais de valor. Entrar na era do conhecimento pela porta da produção e não apenas do consumo.

Por isso o PSB prop√Ķe "um salto criativo e revolucion√°rio em dire√ß√£o ao novo paradigma da era do conhecimento, incorporando elementos novos, estruturantes e de longo prazo, √†s propostas econ√īmicas, ambientais e sociais?. Dentre esses novos elementos, est√°, por exemplo, a biodiversidade amaz√īnica que atrav√©s da biotecnologia pode gerar produtos de alto valor agregado, constituindo-se num diferencial competitivo brasileiro na cadeia de valor global.

E na rela√ß√£o entre Ind√ļstria e Economia Criativa, o PSB compreende que uma grande parte do que se denominou desindustrializa√ß√£o, corresponde, na verdade, √† perda do peso relativo da ind√ļstria manufatureira no PIB em que os servi√ßos especializados cresceram. E isso √© um fen√īmeno mundial. Nos EUA por exemplo a parte da popula√ß√£o que trabalhava no chamado "ch√£o de f√°brica? era de 25% na d√©cada de 50 do s√©culo passado. Hoje √© de menos de 8%.

A tese 164 do novo Programa do Partido Socialista Brasileiro diz "que √© necess√°rio adotar forte a√ß√£o de planejamento e articula√ß√£o do Estado com a sociedade, o empresariado, a academia e o trabalhadores para que o novo paradigma baseado na Cultura, na Ci√™ncia e na Tecnologia seja assimilado?. Nesse sentido h√° que se reformular e atualizar o Plano Estrat√©gico da Economia Criativa do governo da presidente Dilma Rousseff, equivocadamente, a nosso ver, situado no √Ęmbito do Minist√©rio da Cultura. Um plano como esse, ali√°s, n√£o poderia estar a cargo de nenhum minist√©rio pois envolve obrigatoriamente a√ß√Ķes de v√°rios minist√©rios, notadamente Planejamento, Fazenda, Ind√ļstria e Com√©rcio, Cultura, Turismo, Educa√ß√£o, Agricultura, Esportes al√©m de autarquias, √≥rg√£os e empresas p√ļblicas.

A definição de um marco legal para a Economia Criativa é essencial e pode partir das leis e decretos da Ciência, Tecnologia e Inovação, bem como a criação de um Fundo Misto de Desenvolvimento para Economia Criativa dedicado exclusivamente a viabilizar a participação financeira e o apoio tecnológico aos empreendimentos inovadores de pequeno, médio e grande portes, visando torná-los competitivos nos mercados nacional e global.

Assim, exatamente pela sua natureza interdisciplinar, a governan√ßa da Economia Criativa precisar√°, pelo menos no seu in√≠cio, de uma certa centraliza√ß√£o que s√≥ pode ser exercida por √≥rg√£o ou assessoria ligada diretamente ao pr√≥prio Presidente da Rep√ļblica ou ao Vice-Presidente, como fez Get√ļlio Vargas para a implanta√ß√£o do modelo de desenvolvimento industrial em meados do s√©culo XX.

Por Domingos Leonelli, ex-deputado federal e coordenador do site Socialismo Criativo 



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