Instituto Pensar - O papel do Centro e de Simone Tebet

O papel do Centro e de Simone Tebet

por: Domingos Leonelli 


Domingos Leonelli durante apresentação da Autorreforma no XV Congresso Nacional do PSB. | Foto: Mateus Tourinho

O que foi destro√ßado nas elei√ß√Ķes de 2018 foi o Centro pol√≠tico brasileiro. A ultradireita ganhou a elei√ß√£o, a esquerda foi derrotada no segundo turno com Fernando Haddad, que teve um belo desempenho. Considerando que era uma candidatura substituta de Lula injustamente preso e, que contou quase exclusivamente com a esquerda, foi na realidade um bel√≠ssimo resultado.

Grande parte do Centro deslocou-se para Bolsonaro no segundo turno de 2018 e foi isso que lhe garantiu a vitória. E não a bobagem ressentida de Ciro Gomes viajar para Paris. Mesmo porque a grande maioria de seus eleitores , como eu, votou com Haddad no segundo turno.

Agora é outra história.

Bolsonaro espantosamente mant√©m a sua bolha, beirando 30% de aprova√ß√£o de um governo de merda em todos os terrenos sociais e econ√īmicos, mas que manteve e ampliou os privil√©gios do grande capital financeiro, do agroneg√≥cio e do capital internacional. S√≥ que entre banqueiros, empres√°rios do agroneg√≥cio e mesmo capitalistas internacionais, h√° uma preocupa√ß√£o com seu radicalismo antidemocr√°tico e sua liga√ß√£o com mil√≠cias, sua sanha destrutiva do meio-ambiente e a ladroagem vulgar.

Claro que eu sei que no "pega pra capar? de que lado essa elite fica.

Por mais que Lula , corretamente, amplie sua base de apoio, por mais Alckmin colabore nesse intento, as elites brasileiras e a parte da classe média ainda irritada com os erros e acertos da esquerda (erros na leniência com a corrupção e acertos nos passos para a redução da desigualdade) ainda podem optar por mais quatro anos de Bolsonaro.

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E é aqui que entra a candidatura de Simone Tebet. Se ela conseguir se constituir numa alternativa da centro-direita comprometida com a democracia e impedir a ampliação da base bolsonarista, estará prestando um grande serviço à democracia e, provavelmente, a uma vitória da centro-esquerda representada pela candidatura Lula-Alckmin.

N√£o creio que Tebet , diferentemente de Ciro, tire um voto do campo da centro-esquerda. E, mesmo ela e Ciro juntos, n√£o tirariam Lula de um segundo turno em que, se acontecer, a maioria de seus eleitores estariam conosco.

De qualquer forma as candidaturas de Tebet, Ciro, Janones não se constituem em nossos inimigos principais. O inimigo principal da democracia, da soberania nacional e do povo é o presidente Jair Bolsonaro.

Felizmente não vi da parte da direção da campanha Lula-Alckmin nem a defesa da tese de uma vitória no primeiro turno, nem um ataque frontal à candidatura de Simone Tebet, que a meu ver deve ser tratada com respeito e sem hostilidade.

Mesmo porque uma desejável vitória no primeiro turno teria que ser acachapante e ter o reconhecimento imediato de todos os outros concorrentes para evitar qualquer arroubo golpista.



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