Instituto Pensar - Saiba como pessoas criativas encontram suas melhores ideias

Saiba como pessoas criativas encontram suas melhores ideias

Auguste Rodin - O Pensador , AC. 1880 - Legi√£o de Honra.

por Casey Lesser em 29/11/2018.

N√≥s tendemos a romantizar a criatividade dos artistas. N√≥s imaginamos a inspira√ß√£o marcante em flashes ousados, em momentos inesperados, ou em locais incomuns: digamos, durante o meio da noite, ou nos desertos indom√°veis ​​do Novo M√©xico. Mas, devido a essa mitologia, muitas vezes n√£o pensamos em como as pessoas criativas reais criam suas melhores ideias no dia a dia.

Essa pergunta est√° no centro do Relat√≥rio WeTransfer Ideas , publicado hoje pela empresa de compartilhamento de arquivos on-line (que informa que tr√™s quartos dos seus mais de 42 milh√Ķes de usu√°rios se identificam como criativos). Os resultados s√£o baseados em uma pesquisa que foi divulgada aos usu√°rios do WeTransfer em junho passado, que se concentrou nas condi√ß√Ķes pr√°ticas e abordagens para o ideating. Mais de 10.000 usu√°rios de 143 pa√≠ses responderam, compartilhando cerca de 100.000 pontos de dados que permitiram √† empresa identificar tend√™ncias fortes em profiss√Ķes criativas, geografia e faixas et√°rias.

O editor-chefe da WeTransfer, Rob Alderson, que trabalhou com D'Arcy Doran, da TCO London, para desenvolver o relat√≥rio, observou que o √≠mpeto era apresentar uma imagem da verdadeira inspira√ß√£o criativa. "Fiquei frustrado com a maneira como a criatividade √© falada e fetichizada na maior parte do tempo", explicou Alderson. Ele observou que as conversas em torno de id√©ias criativas s√£o muitas vezes unilaterais - conduzidas por um designer de renome (geralmente um homem branco) falando em um palco de uma confer√™ncia sobre como suas ideias funcionam. As pessoas que ouvem frequentemente tamb√©m s√£o criativas, acrescentou Alderson, "e elas t√™m maneiras que suas pr√≥prias id√©ias funcionam¬Ē.

Considerando a realidade de trabalhar em uma profiss√£o criativa - os participantes eram principalmente em m√ļsica, fotografia, ilustra√ß√£o, design, marketing ou publicidade - muitas das descobertas n√£o s√£o surpreendentes, e fazem com que a criatividade pare√ßa um pouco menos glamourosa. "Definitivamente, havia perguntas em que as respostas eram menos sexy do que eu esperava¬Ē, admitiu Alderson, apontando para o fato de que a maioria das pessoas disse que eles criam suas melhores ideias em suas mesas.

√Č importante ressaltar que o relat√≥rio n√£o deve ser lido como um roteiro para o desenvolvimento de ideias criativas; em vez disso, Alderson espera que ofere√ßa uma vis√£o mais sutil da criatividade, e desafia a percep√ß√£o de que a criatividade pode ser facilmente alcan√ßada atrav√©s de alguns hacks r√°pidos. "Id√©ias s√£o enlouquecedoras¬Ē, ponderou Alderson. "Se houvesse um lugar onde voc√™ sempre tivesse boas id√©ias, a criatividade seria f√°cil."

Enquanto o relat√≥rio produziu dezenas de curiosidades - como a de mais de um ter√ßo dos entrevistados na Nig√©ria ter suas melhores id√©ias enquanto estavam na cama, e que muitas pessoas em pa√≠ses conhecidos por seu caf√©, como Col√īmbia e Turquia, confiam na cafe√≠na corre√ß√£o - abaixo, compartilhamos tr√™s t√≥picos principais.

Boas ideias nascem em ambientes de trabalho tranquilos e arrumados.

Quando perguntado "Onde voc√™ consegue suas melhores ideias?¬Ē Quase metade respondeu no trabalho, na sua mesa ou no est√ļdio. O segundo mais alto, com 29%, relatou ter as melhores ideias no caminho ou para o trabalho; seguido por pessoas que relataram o mesmo para quando est√£o na cama, com 23%.

Alderson observou que esses dados foram um pouco decepcionantes, mas refletem o fato de que os profissionais criativos est√£o apresentando suas melhores ideias enquanto est√£o no trabalho - n√£o durante momentos espont√Ęneos, eureka. Alderson esperava ver mais evid√™ncias de id√©ias acontecendo em cen√°rios incomuns, como durante a corrida, mas as respostas refletem que, para a maioria das pessoas, ter id√©ias criativas faz parte de seu trabalho.

Lu Chen, um neurocientista da Universidade de Stanford, compartilhou insights para o relat√≥rio, observando que ela apoiava essas descobertas. "Voc√™ precisa envolver sua mente em alta intensidade para ter pensamentos significativos, pensamentos anteriormente inexistentes", escreveu ela. "N√£o acontece quando voc√™ est√° totalmente relaxado que algo simplesmente aparece.¬Ē Ela explicou que quando chegamos a id√©ias enquanto caminhamos pela rua ou no chuveiro, isso est√° acontecendo porque j√° est√°vamos pensando; √Č em momentos em que estamos tentando entender nossos pensamentos que id√©ias criativas emergem.

Outras tend√™ncias ambientais vieram do r√°pido "Para ser realmente criativo, eu preciso¬Ö¬Ē, o que resultou em 65% dos entrevistados dizendo que precisavam de sil√™ncio ou sil√™ncio (particularmente por pesquisadores na √Āsia, observou Alderson). A segunda resposta mais alta foi dos 32% que disseram que precisavam de "um espa√ßo limpo e arrumado¬Ē. Dada a concep√ß√£o comum de artistas trabalhando em ambientes barulhentos e confusos, isso pode parecer surpreendente - mas tamb√©m fala da realidade de ser um profissional de trabalho.

Esse mesmo conceito é apoiado por respostas à pergunta: "Quando é a parte mais criativa do seu dia?" A janela das 8 da manhã ao meio-dia era popular, com 27% dos entrevistados informando assim, enquanto a madrugada e a madrugada, da meia-noite às 8 da manhã, foram selecionados por apenas 5%. A resposta mais escolhida, no entanto, foi "nunca é a mesma", que foi selecionada por 33% dos participantes.

Alderson notou que a ideia rom√Ęntica de "acordar √†s 3 horas da manh√£ e lutar contra a sua arte¬Ē √© comum e refor√ßada pela cultura popular. O ponto de que as ideias surgem em momentos diferentes tamb√©m √© fundamental - destacando que a criatividade n√£o acontece como um rel√≥gio.

Offline> online

"Eu acho que a coisa mais interessante em todo o relat√≥rio √© o qu√£o mal feito on-line", explicou Alderson. Quando perguntado "O que inspira suas melhores ideias?¬Ē 45% dos entrevistados disseram livros ou revistas, e outros 45% disseram conversar com amigos, enquanto 38% disseram viagens (os entrevistados puderam selecionar mais de uma resposta). Blogs e sites criativos ficaram no meio, com 29% dos entrevistados citando-os como inspira√ß√£o; Instagram e Pinterest foram escolhidos por 22% dos participantes; e plataformas de v√≠deo, bem como Twitter e Facebook, classificaram em baixa.

"Faz muito sentido que as pessoas precisem ficar offline para realmente ter uma nova ideia, caso contr√°rio, voc√™ est√° sendo alimentado por algoritmos", explicou Alderson, apontando para a forma como estamos sendo servidos de conte√ļdo na internet com base em nossa anterior comportamento e gostos. "Eu acho que √© um problema - particularmente com a ascens√£o dos grandes blogs criativos, tamb√©m - que jovens criativos est√£o sendo expostos √†s mesmas coisas, √†s mesmas vozes", acrescentou. "O que √© interessante √© como podemos tentar trazer essa sensa√ß√£o de casualidade ou serendipidade para um espa√ßo digital, porque parece que est√° faltando no momento.¬Ē

A neurocientista da Universidade de Tufts, Maryanne Wolf, explicou no relatório que a afinidade por fontes de inspiração offline, como livros e revistas, tem a ver com a experiência multissensorial de leitura off-line, que permite uma maior compreensão e percepção.

√Č igualmente vantajoso desconectar quando se trata de m√©todos para registrar id√©ias. Quando perguntado "Como voc√™ costuma gravar suas id√©ias?" 40% dos participantes disseram que usam caneta e papel, 19% disseram que fazem isso no computador, e apenas 17% disseram que confiam em seus telefones.

Escrever √† m√£o nos ajuda a processar as coisas mais profundamente, explicou a psic√≥loga social e pesquisadora pol√≠tica Pam Mueller no relat√≥rio. Digitar, por outro lado, √© relativamente insensato. "Se voc√™ tem uma ideia, as chances s√£o de que ela n√£o esteja totalmente formada como vem √† mente", escreveu Mueller. "Mas conforme voc√™ escreve, sua mente est√° elaborando mais do que seria se voc√™ apenas digitasse porque voc√™ n√£o teria que pensar tanto sobre a digita√ß√£o quanto sobre a escrita.¬Ē

M√ļsicos e Gen-Z pensam diferente

Embora os dados possam ter sido cruzados para mostrar as idiossincrasias de v√°rios grupos, Alderson e seus colegas descobriram que os m√ļsicos e as gera√ß√Ķes mais jovens s√£o outliers, demonstrando um comportamento notavelmente distinto de seus colegas.

Ao contr√°rio dos indiv√≠duos que trabalham em outros campos criativos, os m√ļsicos criam suas melhores ideias √† noite e, com muita frequ√™ncia, s√£o inspirados por outras m√ļsicas. Eles tamb√©m eram duas vezes mais propensos do que os n√£o-m√ļsicos a listar "compromissos familiares¬Ē como algo que impedia boas ideias, e tamb√©m mais propensos a listar "√°lcool¬Ē como uma necessidade para a criatividade.

Ainda mais distinto, por√©m, segundo Alderson, foram as respostas dos grupos et√°rios abaixo dos 18 e dos 18 aos 25 anos. "De tudo que fizemos refer√™ncia cruzada, a idade foi definitivamente a categoria mais influente", disse ele. Por exemplo, eles descobriram que livros e revistas foram classificados como as principais fontes de inspira√ß√£o para todos os grupos, exceto para o grupo de menores de 18 anos. "Eu n√£o tenho certeza se era o top 10 para eles", disse Alderson. "Claramente, eles n√£o valorizam a impress√£o de forma criativa, de modo que deve ser parte da conversa [para] aqueles de n√≥s executando publica√ß√Ķes¬Ē, acrescentou.

Em termos do que inspira suas melhores ideias, os menores de 18 anos foram o √ļnico grupo que classificou a m√ļsica mais alto, acrescentou Alderson, e eles tinham mais chances de ter boas ideias por meio de plataformas on-line, com o ranking do YouTube, Vimeo e Netflix . Chegar com id√©ias na cama tamb√©m foi maior para este grupo (45%); eles experimentaram tantas boas id√©ias em um ambiente bagun√ßado quanto um limpo, e menos inspira√ß√£o no per√≠odo da manh√£.

Alderson enfatizou que o relat√≥rio n√£o pretende desmistificar ou criticar a criatividade, mas sim fornecer mais contexto. "N√≥s n√£o abordamos a criatividade de uma maneira, e ent√£o eu acho que todo o modo como falamos sobre criatividade tem que refletir isso¬Ē, explicou ele. Embora o relat√≥rio n√£o deva ser lido como um guia para se tornar mais criativo, Alderson acha que certos insights v√£o repercutir nas pessoas. Isso pode significar perguntar-se de onde v√™m suas melhores ideias e capitalizar o que funciona bem para voc√™.



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