Instituto Pensar - Agitação e propaganda para Revolução Brasileira ? parte II

Agitação e propaganda para Revolução Brasileira ? parte II

por: Jones Manoel 


A Revolu√ß√£o Brasileira √© a coluna quinzenal e exclusiva para o site Socialismo Criativo assinada por Jones Manoel. Historiador, professor, educador popular, youtuber podcaster, o colunista aborda os caminhos revolucion√°rios a partir do ponto de vista da juventude marxista brasileira.

Boa leitura!

Agitação e propaganda para Revolução Brasileira ? parte II

No artigo passado, refletimos de um ponto de vista conceitual os problemas da agita√ß√£o e propaganda visando a constru√ß√£o da Revolu√ß√£o Brasileira. Neste artigo, tocando em quest√Ķes mais concretas, vamos examinar um problema espec√≠fico: a agita√ß√£o e propaganda no √Ęmbito da internet. Este artigo, assim como o anterior, n√£o √© totalmente original. Mais uma vez, usamos como base um escrito do camarada Gabriel Landi , fazendo algumas poucas modifica√ß√Ķes.

A primeira quest√£o a ser posta √© que o problema √© examinado a partir de uma perspectiva leninista e n√£o de um abstrato "uso progressista? das redes. Assim, para compreender a import√Ęncia desse tema, devemos demarcar com nitidez o nosso ponto de vista. Os camaradas do Party for Socialism and Liberation resumiram bem a quest√£o (em um artigo que deve ser refer√™ncia obrigat√≥ria para todo publicista leninista em nossa √©poca):

"As m√≠dias sociais representam desafios consider√°veis para a forma do partido leninista e para o movimento socialista em geral. Elas criam um potencial ilimitado para comunica√ß√Ķes horizontais entre membros, para fofocas e insinua√ß√Ķes no interior do movimento e para a vigil√Ęncia da vida dos membros (orienta√ß√£o pol√≠tica, estado de √Ęnimo, finan√ßas, atividades rom√Ęnticas, etc). Tamb√©m difundem o espontane√≠smo na comunica√ß√£o do Partido (em compara√ß√£o com publica√ß√Ķes impressas, que s√£o criadas, produzidas e distribu√≠das centralmente por uma lideran√ßa destacada). Ao contr√°rio de um jornal, as redes sociais permitem que os membros escolham quais artigos querem distribuir, escrevam suas pr√≥prias manchetes acima das manchetes do Partido e distribuam seus pr√≥prios artigos, escritos por eles mesmos ou por outros, sem qualquer discuss√£o e avalia√ß√£o coletiva do Partido.?

As quest√Ķes organizativas em torno da comunica√ß√£o revolucion√°ria t√™m grande import√Ęncia te√≥rica e pr√°tica para aquilo que conhecemos como leninismo. Em Que fazer? , L√™nin defende que devemos "recusar o apelo imediato √† ofensiva? revolucion√°ria e, antes, "exigir a concentra√ß√£o de todos os esfor√ßos para recrutar, organizar e mobilizar um ex√©rcito permanente?. Para tanto, "a atividade essencial de nosso Partido, o palco de sua atividade, deve consistir em um trabalho que seja poss√≠vel e necess√°rio tanto nos per√≠odos de explos√Ķes mais violentas como nos de calma absoluta, isto √©, deve consistir em um trabalho de agita√ß√£o pol√≠tica unificada para toda a R√ļssia, que ilumine todos os aspectos de vida e dirija-se √†s massas em geral?.

Na época em questão, Lênin destaca que esse trabalho seria inconcebível "sem um jornal que interesse a todo o país e apareça com bastante frequência?. Portanto, "a organização a ser constituída por si mesma em torno desse jornal, a organização de seus colaboradores (no sentido amplo de palavra, isto é, todos aqueles que trabalham para ele) estará pronta para tudo, para salvar a honra, o prestígio e a continuidade no trabalho do Partido nos momentos de grande ?depressão? dos revolucionários, e para preparar, determinar o início e realizar a insurreição armada do povo?.

"L√™nin compreendeu a rela√ß√£o entre o desenvolvimento espont√Ęneo da luta de classes e a forma√ß√£o da consci√™ncia de classe revolucion√°ria: apenas assentando a organiza√ß√£o dos revolucion√°rios sobre as bases de um trabalho coordenado de luta ideol√≥gica seria poss√≠vel, por um lado, assegurar a firmeza ideol√≥gica de todo o trabalho comum na luta pol√≠tica e econ√īmica, contribuindo para a eleva√ß√£o da consci√™ncia de classe do proletariado a um patamar revolucion√°rio (e disso decorre o princ√≠pio da m√°xima centraliza√ß√£o da propaganda em torno do √ďrg√£o Central); e, por outro lado, aprimorar o pr√≥prio n√≠vel organizativo dos revolucion√°rios. Da√≠ a concep√ß√£o do jornal como organizador coletivo e agitador-propagandista coletivo?

Uma tal obra de constru√ß√£o partid√°ria em torno de um jornal asseguraria a constitui√ß√£o de uma rede de agentes "que se formasse por si pr√≥pria trabalhando para a cria√ß√£o e a difus√£o de um jornal comum?. Ao mesmo tempo, refor√ßaria os la√ßos com as massas oper√°rias, em geral, e com todas as camadas da popula√ß√£o descontentes com a ordem vigente. Uma a√ß√£o assim concebida buscava ensinar a todos os organismos do partido revolucion√°rio, em todos os pontos da imensa R√ļssia, a manter entre si rela√ß√Ķes mais regulares e, ao mesmo tempo, mais clandestinas; rela√ß√Ķes estas que dariam origem √† efetiva unidade de a√ß√£o do partido; uma unidade sem a qual seria imposs√≠vel discutir coletivamente o plano de insurrei√ß√£o e tomar, √†s v√©speras dessa insurrei√ß√£o, as medidas preparat√≥rias necess√°rias ? que deveriam ser mantidas no mais rigoroso sigilo (tanto quanto a estrutura log√≠stica de distribui√ß√£o desse jornal revolucion√°rio).

Contudo, ao longo do século XX, a humanidade revolucionou seus meios de comunicação em uma escala sem precedentes, o que teve graves consequências para o jornalismo da "Era da Prensa?. Devemos ter em nossas mentes que Lênin formulou seu plano de organização revolucionária em torno de um jornal impresso, em uma época em que a prensa de Gutenberg ainda representava a mais avançada forma de produção em massa de comunicação existente. No século posterior, a disseminação do rádio, cinema e televisão forneceu à classe burguesa armas ainda mais poderosas na disseminação de sua visão de mundo e de seus valores.

No entanto, a emerg√™ncia desses meios de comunica√ß√£o n√£o podia ter, ainda, nenhum impacto modificador sobre as concep√ß√Ķes leninistas de organiza√ß√£o. Por qu√™? Porque os custos incomparavelmente maiores da produ√ß√£o e da difus√£o audiovisual (al√©m da regulamenta√ß√£o estatal mais restrita sobre a r√°dio e a teledifus√£o no espa√ßo a√©reo nacional) impediam, sobre as bases da propriedade privada dos meios de produ√ß√£o, que a classe trabalhadora se apoderasse sistematicamente desses novos meios de comunica√ß√£o e fizesse deles uma ferramenta t√£o cotidiana quanto o mime√≥grafo. Quando muito, tomando de assalto o controle de emissoras, organiza√ß√Ķes de vanguarda puderam veicular comunicados (como a R√°dio Libertadora) ou transmitir comandos (como na Revolu√ß√£o dos Cravos).

Diversas r√°dios comunit√°rias surgiram e desapareceram ao longo dessa √©poca, sem qualquer papel de destaque na organiza√ß√£o pol√≠tica em √Ęmbito mais geral, nacional; os canais de televis√£o ficaram reservados, quando muito, aos sindicatos mais conciliadores e legalizados, integrados ao Estado burgu√™s? A organiza√ß√£o da milit√Ęncia revolucion√°ria seguiu baseando-se firmemente no jornalismo impresso leninista, a despeito das dificuldades imensas em fazer frente, por esses meios, ao arsenal audiovisual da classe dominante. Quando fala em "crise do jornalismo?, a burguesia, em especial aquela da ind√ļstria da comunica√ß√£o, est√° falando na crise do "modelo de neg√≥cios? do jornalismo impresso.

O surgimento da internet e das m√≠dias digitais desembocou na necessidade de revolucionar tecnicamente seus meios de distribui√ß√£o da comunica√ß√£o escrita. A isso, essa classe responde com demiss√Ķes em massas nas reda√ß√Ķes; reorienta√ß√£o de seus modelos de arrecada√ß√£o publicit√°ria; flexibiliza√ß√£o dos manuais de procedimentos jornal√≠sticos a fim de responder √† velocidade n√£o mais di√°ria, mas instant√Ęnea, da produ√ß√£o e difus√£o de comunica√ß√£o na internet, etc.

Mas também a imprensa proletária, em especial a imprensa revolucionária, sofre os efeitos da crise que a internet (e as mídias digitais, redes sociais, etc) faz pesar sobre o jornalismo impresso. Ocorre que, no nosso caso, o significado desta crise é completamente distinto.

Vejamos, por exemplo, a quest√£o da produ√ß√£o de conte√ļdo audiovisual. Para a burguesia, essa quest√£o se solucionou h√° muito com maci√ßos investimentos na compra de equipamentos e da for√ßa de trabalho de especialistas t√©cnicos, atores, roteiristas, etc. Para as organiza√ß√Ķes pol√≠ticas prolet√°rias, contudo, essa quest√£o se coloca a uma escala significativa apenas hoje, com o barateamento dos meios de produ√ß√£o desses conte√ļdos mas, principalmente, dos meios de difus√£o (que n√£o mais dependem de gigantescas antenas transmissoras, mas apenas da inser√ß√£o e veicula√ß√£o mediante redes sociais e p√°ginas virtuais). √Č natural, portanto, que estejamos realizando, agora, tarefas (pr√°ticas e te√≥ricas) que a classe burguesa p√īde come√ßar a solucionar a seu favor h√° muitas d√©cadas.

A quest√£o √© especialmente problem√°tica do ponto de vista organizativo. Nesse plano, para a burguesia, as quest√Ķes s√£o de uma envergadura menor, demandando recalibragens marginais: uma recomposi√ß√£o quantitativa e qualitativa da for√ßa de trabalho na ind√ļstria da comunica√ß√£o, o abandono de determinadas t√©cnicas em favor de outras, etc. Isso porque, no essencial, a crise do jornalismo burgu√™s n√£o p√Ķe em quest√£o as rela√ß√Ķes entre os propriet√°rios privados dos meios de comunica√ß√£o e os produtores de comunica√ß√£o assalariados e pequeno-burgueses. No processo de produ√ß√£o e difus√£o da comunica√ß√£o, permanece valendo a regra da subsun√ß√£o real e formal do trabalho ao capital como forma de organiza√ß√£o do trabalho. Modificam-se os trabalhos concretos, mas n√£o as formas gerais das rela√ß√Ķes de trabalho (em poucos palavras: o patr√£o manda e os empregados obedecem).

"A imprensa revolucion√°ria, por outro lado, nunca se baseou nessa din√Ęmica. Ao contr√°rio, e isso mesmo no auge da profissionaliza√ß√£o do jornalismo militante, a imprensa partid√°ria comunista sempre se baseou na organiza√ß√£o, centralizada por um √≥rg√£o ideol√≥gico nacional, de uma imensa rede de colaboradores (tanto redatores quanto distribuidores). Com o advento da internet, contudo, as facilidades abertas √† produ√ß√£o e difus√£o individual criam enormes dificuldades organizativas?

Nas décadas precedentes, um publicista que almejasse ver um artigo seu difundido entre seus camaradas trabalhadores em escala nacional deveria, antes de tudo, submetê-lo ao órgão central de uma organização, que servia como organizador da homogeneidade ideológica e da polêmica lícita partidária. O distribuidor, por sua vez, não tinha a opção de difundir apenas este ou aquele artigo de sua preferência, e ainda pior: escrever manchetes suas em conjunto com o artigo difundido (como se faz nas redes sociais).

√Č justo afirmar, portanto, que aquilo que hoje √© chamado de "crise do jornalismo? atinge todas as classes da sociedade burguesa, ainda que de maneiras distintas. O resultado dessa crise do jornalismo impresso, portanto, √© para os leninistas uma combina√ß√£o de crescentes oportunidades em nossa difus√£o e, ao mesmo tempo, graves dificuldades organizativas ao nosso trabalho comum de agita√ß√£o e propaganda.

Ainda que muitas vezes esse trabalho não centralizado seja promovido com firmeza estratégica e espírito de partido, segue sendo problemático do ponto de vista dos métodos o ainda insuficiente planejamento e execução coletiva desse trabalho (do ponto de vista da utilização do jornalismo revolucionário como meio de organização de nosso trabalho comum). Não se trata, evidentemente, de impor a abstenção aos propagandistas partidários que já realizam de forma bem sucedida esse trabalho na internet.

Se trata, ao contr√°rio, de dar suporte coletivo e organizado a esse trabalho deles e de muitos outros propagandistas que cada organiza√ß√£o pol√≠tica precisa formar neste √Ęmbito, nos marcos de um planejamento e de uma divis√£o do trabalho comum. E, com isso, inclusive, ampliar a organicidade entre os publicistas prolet√°rios que atuam nestas m√≠dias mas ainda seguem politicamente desorganizados.

No entanto, para além desses problemas mais propriamente partidários com os quais os leninistas se deparam na comunicação virtual, há mais um outro que vitima todos os comunicadores, sejam aqueles que militam em um partido democraticamente centralizado ou aqueles que concebem de forma distinta de nós, leninistas, a questão organizativa: o problema da dependência em relação aos intermediários. Facebook, Youtube, Instagram, Twitter, cada um desses é em si uma empresa capitalista, com seus próprios interesses e liberdades.

Quem acompanha as experi√™ncias de cerceamento virtual aos conte√ļdos produzidos pela TeleSur e outras fontes ligadas aos governos de Venezuela, R√ļssia, etc. sabe suficientemente bem que as redes sociais n√£o s√£o uma mera "esfera p√ļblica? horizontal, como acreditam os liberais, p√≥s-modernos e liberais de esquerda. S√£o, ao contr√°rio, meios privados, e propriedade de meia d√ļzia de monop√≥lios midi√°ticos (normalmente dos Estados Unidos, um bra√ßo da pol√≠tica externa do imperialismo).

Em outras palavras: permitem a "qualquer um? acessar amplos p√ļblicos, mas sempre pela intermedia√ß√£o de uma empresa com completo acesso √†s nossas comunica√ß√Ķes e poder de cerceamento delas, mediante crit√©rios nada transparentes. S√£o, al√©m disso, empresas que passam a possuir nossos dados, nossa localiza√ß√£o, etc.

Podemos dar por certa uma limitação estrutural desses meios para a difusão de uma comunicação revolucionária. Seus algoritmos beneficiam a difusão de fontes alinhadas aos monopólios da comunicação, ou financiadas fartamente por empresas, e a qualquer tempo esses monopólios podem unilateralmente decidir pela nossa censura. A fórmula é simples: aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pela internet, mas nunca esquecer o papel imperialista e burguês desses monopólios da comunicação.

√Č preciso que haja, entre os revolucion√°rios, determinadas pol√≠ticas de seguran√ßa digital. Isso √© um fato. Mas essas pol√≠ticas de seguran√ßa n√£o podem impedir a amplitude de nossa comunica√ß√£o nesses meios e, ainda que necess√°rias, n√£o devem tamb√©m superestimar os riscos desses meios. O risco de ter nossas comunica√ß√Ķes expostas a esses monop√≥lios atinge especialmente quest√Ķes log√≠sticas ? geolocaliza√ß√£o de aparelhos, de quadros dirigentes, informa√ß√Ķes operacionais sobre planejamento de a√ß√Ķes sigilosas, etc.

√Č preciso limitar ao m√°ximo a disponibilidade de informa√ß√Ķes nossas desse tipo para tais ve√≠culos, aproveitando-os ao mesmo tempo para a difus√£o de nossas proposi√ß√Ķes e de nossa teoria ? sem perder de vista a necessidade de sua expropria√ß√£o e socializa√ß√£o democr√°tica (a Revolu√ß√£o Brasileira ter√°, como uma de suas tarefas centrais, limitar ao m√°ximo a atua√ß√£o desses monop√≥lios e criar ve√≠culos nacionais de comunica√ß√£o e uso das ferramentas da internet).

Por isso mesmo, tamb√©m, recha√ßamos a tend√™ncia ao abandono dos ve√≠culos impressos em favor dos puramente digitais. Segundo dados do IBGE de 2021, 40 milh√Ķes de brasileiros n√£o t√™m acesso √† internet e ainda devemos considerar os que t√™m um pacote de dados limitad√≠ssimo. Ao mesmo tempo, a internet apresenta um potencial limitado para a agita√ß√£o associada √† luta sistem√°tica nos locais de trabalho dos setores estrat√©gicos do proletariado. Pode ser usada como um meio dos trabalhadores difundirem suas posi√ß√Ķes e buscarem apoio entre o conjunto do povo disperso, mas funciona mal como meio de comunica√ß√£o de uma vanguarda com a massa dos trabalhadores de uma determinada categoria, ou de um determinado bairro ou local de concentra√ß√£o.

"√Č poss√≠vel convocar uma greve por Whatsapp, mas o trabalho sistem√°tico de forma√ß√£o e educa√ß√£o da massa dos trabalhadores por suas dire√ß√Ķes sindicais e pol√≠ticas demanda o contato permanente, cotidiano, que a mera agita√ß√£o e propaganda de Facebook, por exemplo, n√£o pode proporcionar. Assim, as redes sociais dificilmente ser√£o ponto focal da agita√ß√£o sindical e econ√īmica, servindo mais para a agita√ß√£o em torno de pautas mais pol√≠ticas, para a convoca√ß√£o de manifesta√ß√Ķes de massas etc.?

Por outro lado, sendo um modal relativamente barato, permite uma massificação significativa de nossa propaganda teórica, que deve ser promovida de modo paciente e sistemático. Combinado a isso, os revolucionários devem promover sua agitação também por meio de materiais impressos sintéticos, em linguagem popular e de não tão custosa impressão, que cheguem às massas de modo mais focalizado e planejado.

Assim, temos diante de n√≥s o vislumbre de um colossal desafio: a constru√ß√£o e coordena√ß√£o harm√īnica de um intrincado aparato editorial, a ser concebido em sua unidade e integralidade, composto por uma ampla rede de ve√≠culos de propaganda (e, em menor grau, agita√ß√£o) virtual, combinado a um √≥rg√£o public√≠stico nacional de periodicidade regular e ampla circula√ß√£o (que pode ser complementado a n√≠vel local por meio de folhetos avulsos, volantes, abordando temas regionais), em torno do qual dever√° se organizar a agita√ß√£o revolucion√°ria. Nada impede que o conte√ļdo impresso seja veiculado tamb√©m no formato digital ? mas o inverso pode resultar em um material impresso excessivamente propagand√≠stico e de linguagem mais rebuscada.

Eis, em suma, alguns dos desafios colocados √† organiza√ß√£o de uma interven√ß√£o public√≠stica coordenada dos revolucion√°rios brasileiros nestes tempos de dispers√£o digital. Certamente esses apontamentos n√£o esgotam, e nem pretendem esgotar, esses desafios ou as respostas necess√°rias a eles. Mas, estabelecendo abertamente uma pol√™mica camarada entre os revolucion√°rios, buscamos contribuir para colocar na ordem do dia os verdadeiros e urgentes desafios da Revolu√ß√£o Brasileira no √Ęmbito da comunica√ß√£o.

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