Instituto Pensar - Plano da Secretaria da Economia Criativa ‚Äď SEC - Pol√≠ticas, Diretrizes e A√ß√Ķes 2011 A 2014

Plano da Secretaria da Economia Criativa ‚Äď SEC - Pol√≠ticas, Diretrizes e A√ß√Ķes 2011 A 2014


Apresentamos aos brasileiros e as brasileiras o Plano da Secretaria da Economia Criativa (2011-2014), nova pasta do Minist√©rio da Cultura no Governo Dilma Rousseff. Esse Plano deseja ser muito mais do que um documento definidor de inten√ß√Ķes, pol√≠ticas, diretrizes e a√ß√Ķes no campo da economia criativa brasileira. Ele simboliza um movimento do MinC na redefini√ß√£o do papel da cultura em nosso pa√≠s.

Sabemos que o sistema capitalista atual vive em um ¬ďbeco sem sa√≠da¬Ē e as promessas produzidas pelo Estado, fundamentadas nos ideais da ¬ďliberdade, igualdade e fraternidade¬Ē, demonstraram-se v√£s. Por outro lado, ao lermos e vermos o mundo, seja atrav√©s das m√≠dias, seja a partir das nossas pr√≥prias experi√™ncias cotidianas, vamos sendo assaltados por um grande pessimismo.

Afinal, como enfrentar o desencanto da juventude, hoje com grandes dificuldades de inclus√£o no mercado de trabalho? Como responder √† revolta das minorias diante do reconhecimento dos seus direitos? Como buscar alternativas para a redu√ß√£o da viol√™ncia social cada vez mais intensa? Todas essas perguntas apontam de forma radical para a decad√™ncia dos modelos modernos de Estado, da Economia e do Desenvolvimento. ¬ďO futuro de Europa depende da cultura¬Ē, afirma o pensador polaco Zygmunt Bauman na inaugura√ß√£o em Wroclaw do Congresso Europeu da Cultura que a Pol√īnia organizou com o objetivo de apresentar sua candidatura √† presid√™ncia da Uni√£o Europeia. Disse ainda: ¬ďO mundo est√° se transformando em um mosaico de di√°sporas, em um arquip√©lago de culturas que, enquanto produz riqueza, tamb√©m pode criar uma falta de comunica√ß√£o bab√©lica. Precisamos investir em sistemas de tradu√ß√£o que permitam a cria√ß√£o de uma nova biblioteca de Alexandria. ¬Ē

No mesmo Congresso, o advogado Philippe Kern alerta sobre ¬ďa necessidade de se pensar a cultura n√£o como uma ilha aut√īnoma dentro de um determinado marco social, mas de desloc√°-la para o centro do discurso social e econ√īmico da nova sociedade¬Ē.

Kern analisa as raz√Ķes desse reposicionamento e esclarece que essa mudan√ßa estrat√©gica ¬ďn√£o se justificaria somente pelo crescimento de empregos criados pela ind√ļstria cultural, ou ainda, pela contribui√ß√£o da cultura e da criatividade no PIB dos pa√≠ses, mas especialmente porque a cultura √© o nosso primeiro recurso econ√īmico¬Ē. Na met√°fora de Kern, se nas sociedades industriais o petr√≥leo foi considerado o grande recurso produtor de riqueza, nas sociedades contempor√Ęneas ou p√≥s-industriais a diversidade cultural passa a ser o recurso fundamental para o desenvolvimento das na√ß√Ķes, recurso que orienta o conte√ļdo das tecnologias, as escolhas dos governos, as alternativas econ√īmicas das empresas e, especialmente, os modos de vida das gentes.

Dessa forma, a diversidade cultural n√£o deve mais ser compreendida somente como um bem a ser valorizado, mas como um ativo fundamental para uma nova compreens√£o do desenvolvimento. De um lado, deve ser percebida como recurso social, produtora de solidariedades entre indiv√≠duos, comunidades, povos e pa√≠ses; de outro, como um ativo econ√īmico, capaz de construir alternativas e solu√ß√Ķes para novos empreendimentos, para um novo trabalho, finalmente, para novas formas de produ√ß√£o de riqueza. Assim, seja na produ√ß√£o de viv√™ncias ou de sobreviv√™ncias, a diversidade cultural vem se tornando o ¬ďcimento¬Ē que criar√° e consolidar√°, ao longo desse s√©culo, uma nova economia.

Mais do que institucionalizar dentro do MinC uma secretaria para se quantificar e qualificar a economia da cultura ou a economia criativa, propugnamos, como fundamento e orienta√ß√£o da Secretaria e do seu Plano, a convic√ß√£o essencial que vem sendo constru√≠da no Minist√©rio da Cultura, de que economia √© cultura. E, por isso, s√≥ poderemos construir um pa√≠s sem mis√©ria (nos significados mais amplos que a palavra mis√©ria possa nos suscitar) se tratarmos a diversidade cultural brasileira como recurso essencial para a constru√ß√£o das nossas pol√≠ticas p√ļblicas.


326_plano.pdf



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