Instituto Pensar - AS COMUNIDADES CRIATIVAS, O TURISMO E A CULTURA

AS COMUNIDADES CRIATIVAS, O TURISMO E A CULTURA

Os paradigmas do turismo dos anos 80 est√£o ultrapassados perante a emerg√™ncia daquilo que se designou por ¬ęTurismo Criativo¬Ľ. As novas estrat√©gias de regenera√ß√£o urbana apontam para uma liga√ß√£o e coopera√ß√£o entre as ¬Ďind√ļstrias criativas¬íe o turismo. O novo turista procura experi√™ncias aut√™nticas, que proporcionem desenvolvimento pessoal e aprendizagem. A exist√™ncia de recursos culturais e de patrim√īnio hist√≥rico n√£o s√£o condi√ß√Ķes obrigat√≥rias ao desenvolvimento deste tipo de turismo, e estabelecem a fronteira com o turismo cultural. A coopera√ß√£o entre o turismo e as ind√ļstrias criativas nem sempre √© f√°cil, dado que apresentam abordagens distintas e por vezes conflituantes dos mesmos recursos. As principais estrat√©gias de desenvolvimento das comunidades criativas s√£o aqui apresentadas, assim como, as f√≥rmulas mais utilizadas para o desenvolvimento do ¬ęTurismo Criativo¬Ľ. 

Alexandra Rodrigues Gon√ßalves ¬Ė  ESGHT

Introdução

No presente artigo estabeleceu-se como principal objectivo sistematizar os desenvolvimentos mais recentes e descrever os resultados dispon√≠veis sobre a investiga√ß√£o em turismo cultural, e em particular, sobre o ¬ęTurismo Criativo¬Ľ. Os elementos apresentados resultam fundamentalmente de uma leitura cr√≠tica de artigos cient√≠ficos publicados desde o ano 2000, sobre as ind√ļstrias culturais e criativas, as novas abordagens de gest√£o para os espa√ßos hist√≥ricos e culturais (mais centradas na experi√™ncia e no visitante), mas tamb√©m sobre as motiva√ß√Ķes de visita do turista cultural e as novas atra√ß√Ķes tur√≠sticas e culturais emergentes. 
Como fontes principais foram utilizados v√°rios documentos oficiais internacionais onde se apresentam taxa as pol√≠ticas culturais de regenera√ß√£o urbana e de turismo de v√°rias comunidades e pa√≠ses, onde j√° se adaptaram as estrat√©gias que de seguida passaremos a expor. Alguns dos estudos de caso referidos resultam de pesquisa online, em p√°ginas eletr√īnicas que incluem a promo√ß√£o e a venda de produtos que v√£o ao encontro do nosso objecto de estudo (alguns dos quais surgem referenciados nos artigos cient√≠ficos recolhidos). 
Num breve enquadramento conceptual, gostar√≠amos de come√ßar por reconhecer a import√Ęncia que o turismo cultural assumiu a n√≠vel internacional, constituindo-se na atualidade como um dos segmentos que apresenta um maior e mais r√°pido crescimento no turismo global (OMT, 2001). De acordo com a Organiza√ß√£o Mundial de Turismo este segmento apresenta mesmo uma taxa de crescimento superior √† m√©dia do turismo mundial. Associado a este crescimento encontra-se uma maior frequ√™ncia das √°reas urbanas e dos monumentos. 
A cultura √© desde tempos imemoriais uma motiva√ß√£o principal para viajar, sendo no entanto, a viagem cultural associada √† ¬ęGrand Tour¬Ľ do s√©culo XVI, que marca o desenvolvimento do que hoje se designa por turismo cultural e patrimonial (Patin, 1997). Por sua vez, as atra√ß√Ķes culturais assumem um papel de crescente import√Ęncia no turismo e tornaram-se locais obrigat√≥rios de visita (MacCannell, 1976). Uma an√°lise atenta das estat√≠sticas do turismo demonstra uma clara tend√™ncia para perman√™ncias mais curtas do turista e para uma maior fragmenta√ß√£o das f√©rias. T√™m vindo a ser desenvolvidos v√°rios instrumentos para gerir os fluxos tur√≠sticos nos locais patrimoniais com o objectivo de controlar, influenciar e mitigar os impactes dos visitantes. Em casos extremos, como √© o caso das grutas de Altamira em Espanha foi colocada uma reprodu√ß√£o no local para permitir uma visita tur√≠stica massificada.
√Ä medida que a cultura √© utilizada pelas cidades como forma de desenvolvimento econ√≥mico e social, a prolifera√ß√£o de produtos de turismo cultural amea√ßa a transforma√ß√£o deste tipo de turismo num mercado massificado. Numa tentativa de sensibilizar os agentes locais, a OMT aponta a necessidade de uma melhor segmenta√ß√£o da oferta tur√≠stica e a de gerar uma maior variedade de produtos de turismo cultural, assim como, o controlo da press√£o naqueles locais patrimoniais mais visitados. A promo√ß√£o de uma conserva√ß√£o integrada dos monumentos, museus e outros locais visitados pelos turistas, nomeadamente pela proposta de refor√ßo de parcerias entre o p√ļblico e o privado s√£o algumas dessas propostas.  
Alguns consumidores cansados de encontrar a reprodu√ß√£o em s√©rie de museus e monumentos em diferentes destinos come√ßaram a procurar alternativas. O aumento do consumo especializado e a √™nfase colocada sobre o desenvolvimento de capital cultural individualizado e da espiritualidade, na sociedade p√≥s moderna, apontaram para um desenvolvimento de turismo criativo como sucessor do turismo cultural (Richards e Wilson, 2006).   
Weiermair e Peter (2002) apontam os seguintes elementos principais como grandes determinantes do comportamento do ¬ęnovo¬Ľ consumidor: Multiculturiza√ß√£o: aceita√ß√£o e consumo de outras culturas conduzindo a altera√ß√Ķes na "cultura quotidiana", incluindo a absor√ß√£o de outras dimens√Ķes culturais sobre a forma de acultura√ß√£o.  
Introdução das novas tecnologias de comunicação e informação em muitas esferas das nossas vidas, incluindo a apresentação e interpretação da cultura nas suas diferentes formas de expressão.
Generaliza√ß√£o de um comportamento internacional oposto √† solidariedade, que se baseia num maior individualismo, com os indiv√≠duos a desejar exercer maior controlo sobre as decis√Ķes que lhes dizem respeito. 
Combina√ß√£o do aumento de experi√™ncia de viagem com o aumento da idade, o que implica que o p√ļblico que hoje viaja tem uma maior consci√™ncia dos padr√Ķes de qualidade e desejam em simult√Ęneo ter op√ß√Ķes de escolha e/ou combina√ß√Ķes entre "novo" e "velho", tradicional e moderno, ativo e passivo, produtos e servi√ßos aut√™nticos, mas tamb√©m derivados.  
Maior n√ļmero de "escapes" (mais frequentes e mais diversos) √† rotina di√°ria. Redu√ß√£o do per√≠odo de estadia, o que implica que a intensidade de viagem tende a aumentar, os locais culturais e patrimoniais t√™m que ser visitados mais rapidamente e de forma mais eficiente. 
Com frequ√™ncia tamb√©m acontece que o mesmo visitante combina experi√™ncias mais intensas de viagem com experi√™ncias mais "repousadas", regra geral associadas com atividades relacionadas com a sa√ļde (wellness). 
As for√ßas combinadas do crescimento do individualismo, fortalecidas pelas experi√™ncias de f√©rias e viagens nacionais e internacionais, e pela satura√ß√£o cultural, conduziram a que grande parte dos viajantes desejam ter f√©rias, ou experi√™ncias de viagem, que sejam em simult√Ęneo personalizadas e percebidas como "aut√™nticas". 
Em muitos destinos as rela√ß√Ķes formais e informais entre os governantes locais e a ind√ļstria possuem um efeito consider√°vel sobre a capacidade de atra√ß√£o e de inova√ß√£o do destino. A altera√ß√£o dos processos governativos, onde a responsabilidade de desenvolvimento das pol√≠ticas √© cada vez mais partilhada entre o sector p√ļblico e o sector privado, promovem um interesse crescente nas redes como conceito conceito organizativo para promover formas de atua√ß√£o conjuntas (Dredge, 2005). Porter (1990) foi o principal preconizador da ideia que as redes ou os "clusters"2 de interesses que formam coliga√ß√Ķes de a√ß√£o colectiva, que se constituem como pr√©-condi√ß√Ķes para a inova√ß√£o e para a capacidade de constru√ß√£o da comunidade. 
A cultura, o patrim√īnio e o turismo assumiram-se neste repensar das estruturas sociais e econ√īmicas como instrumentos preponderantes da regenera√ß√£o e revitaliza√ß√£o de centros urbanos mas tamb√©m do meio rural, e emergem de forma crescente como factores de desenvolvimento econ√īmico e social.

 Desenvolvimento Cultural e Comunidades Criativas

A diferencia√ß√£o hoje n√£o se consegue apenas pela cultura e pelo patrim√īnio cultural que se det√©m. Se verificarmos com alguma aten√ß√£o, quase todas as cidades europeias possuem monumentos e museus; todas reconhecem que o seu patrim√īnio hist√≥rico e cultural deve ser conservado e preservado e todas apostaram em estrat√©gias de regenera√ß√£o urbana (total ou parcial, no √ļltimo caso dos bairros hist√≥ricos e culturais) que, muitas vezes, associam esse patrim√īnio ao turismo, como motores principais de desenvolvimento local. 
A cultura e as ¬ęind√ļstrias criativas¬Ľ t√™m sido determinantes para a (re) produ√ß√£o e (re)cria√ß√£o dos espa√ßos urbanos; podemos mesmo afirmar que alguns locais foram reconstru√≠dos ou at√© concebidos propositadamente para o turismo e para o lazer. 
√Č hoje relativamente comum assentar as estrat√©gias de regenera√ß√£o na constru√ß√£o de novos espa√ßos tem√°ticos ou no (re)desenvolvimento de antigos locais (ex. da EXPO 98). A arte p√ļblica tamb√©m tem assumido um papel interessante na regenera√ß√£o urbana, sobretudo em antigos espa√ßos industriais desativados (vide Figura I). Existem em Inglaterra, 6.500 milhas de ciclo via a fazer a liga√ß√£o entre os centros urbanos e o meio rural, onde se incluem centenas de exemplos de arte p√ļblica ao longo da via (Mosedale, 2006). A arte p√ļblica funciona, fundamentalmente, como catalizador de um processo de regenera√ß√£o urbana mais abrangente, estimulando a criatividade e melhorando a imagem da cidade e pode incluir desde mobili√°rio urbano, a projectos comunit√°rios, a instala√ß√Ķes tempor√°rias ou at√© exposi√ß√Ķes. A necessidade das cidades e das regi√Ķes de serem criativas, pelo desenvolvimento de novos produtos esteve na origem de novas estrat√©gias de regenera√ß√£o e de dinamiza√ß√£o do seu tecido econ√īmico e social. No decurso desta abordagem desenvolveu-se o conceito de Turismo criativo (Creative Tourism), constituindo-se como aquele tipo de turismo que oferece aos visitantes a oportunidade de desenvolver o seu potencial criativo atrav√©s da participa√ß√£o ativa em experi√™ncias de aprendizagem que s√£o caracter√≠sticas do destino de f√©rias onde s√£o levadas a cabo (tradu√ß√£o nossa a partir de Richards, 2001:65). Na verdade o turismo cultural por si s√≥ nem sempre consegue criar estas oportunidades, oferecendo uma experi√™ncia muito passiva e de contempla√ß√£o, pelo que se afasta de um novo turismo que procura ¬ęa variation on traditional models of tourism, which appeals to tourists seeking the opportunity to have a 
hands-on cultural experience outside of the normal sightseing opportunities¬Ľ (http://creativecity.ca, 2003). Assim sendo, o elemento-chave deste tipo de turismo diz respeito √† participa√ß√£o ativa do indiv√≠duo naquilo que se designa por experi√™ncia tur√≠stica, e o abandono da "bolha tur√≠stica" que mantinha o turista numa realidade artificial √† parte, distante da comunidade receptora e numa atitude contemplativa (Urry, 1990). 
A viagem emerge como uma oportunidade para desenvolver experi√™ncias pessoais, de auto-aprendizagem a partir de uma descoberta do mundo. Assim, o turismo criativo tem por base a cria√ß√£o de experi√™ncias que pressup√Ķem uma participa√ß√£o activa e o envolvimento do consumidor na sua produ√ß√£o. 
O que tem esta forma de turismo em comum com o modelo tradicional de turismo baseado no "sol e praia" que ficou conhecido como fordismo ou modelo dos 3 S¬ís (Sun, Sea and Sand)? Quase nada! 
O advento do turismo criativo resulta de uma sociedade contempor√Ęnea mais instru√≠da, mais exigente, mais experiente, mais independente. Algumas atra√ß√Ķes culturais j√° reorientaram a sua oferta para estes "novos" p√ļblicos (ou para estas novas motiva√ß√Ķes e comportamentos), oferecendo oportunidades de lazer associadas √† escrita criativa, √† produ√ß√£o de artesanato local, aos workshops de m√ļsica, aos ateliers pedag√≥gicos, etc. 
Tem-se verificado nos Estados Unidos da Am√©rica um movimento generalizado por parte dos l√≠deres da sociedade civil para encontrar novas estrat√©gias de desenvolvimento econ√īmico com vista a construir "capital criativo", e muitos centram a sua aten√ß√£o na forma como o desenvolvimento cultural contribui para comunidades aut√™nticas, vivas, criativas e com sucesso econ√≥mico (Bulick et al., 2003b).
Um dos elementos que se considera mais relevante na discuss√£o das "comunidades criativas" √© a quest√£o da autenticidade. Aparentemente, as cidades de sucesso conseguiram a sua afirma√ß√£o pela identifica√ß√£o e fortalecimento dos seus factores de diferencia√ß√£o em rela√ß√£o a outros locais, pelo que n√£o √© imit√°vel. Cada comunidade deve encontrar o seu caminho para o sucesso (Bulick et al., 2003b). 
O capital criativo ¬Ė a inova√ß√£o e as novas ideias, os novos designs, os novos processos produtivos e de lazer - √© para Bulick et al. (2003b) o combust√≠vel para o motor econ√≥mico do s√©culo XXI.  
As estrat√©gias tradicionais de desenvolvimento econ√≥mico regional, de que s√£o exemplo, a disponibiliza√ß√£o de terrenos, a constru√ß√£o de infra-estruturas, a oferta de incentivos fiscais para atrair empresas e criar emprego, devem ser suplantadas ou potenciadas por novas estrat√©gias para atrair e reter indiv√≠duos talentosos e as suas empresas. Efetivamente, os modelos que estiveram subjacentes √† constru√ß√£o de muitas cidades foram estritamente centrados nos aspectos econ√īmicos e arquitet√īnicos, esquecendo-se de considerar os aspectos da dimens√£o cultural. Isto conduziu-nos a cidades com densidades de constru√ß√£o muito elevadas e por isso tamb√©m muito populosas, o que por sua vez, tem resultado em problemas de conflitos e exclus√£o social (e tamb√©m de desordenamento, polui√ß√£o visual e falta de sustentabilidade). A cultura pode assumisse como um elemento de equil√≠brio. 
Quer o turismo, quer a cultura desempenham um papel fundamental no processo de cria√ß√£o da imagem, nomeadamente no que concerne √† estetitiza√ß√£o das paisagens, assim como, na adequa√ß√£o do ambiente para dar resposta √†s necessidades dos consumidores (Richards e Wilson, 2005). 
A imagem das cidades e das regi√Ķes baseia-se em elementos f√≠sicos, mas tamb√©m se desenvolve a partir das experi√™ncias constru√≠das em torno desses elementos, que geralmente se estendem √† "cultura viva" e √† atmosfera dos locais (Wilson 2002, cit in. Richards e Wilson, 2005).
Existem vantagens reconhecidas a este tipo de oferta de experi√™ncias, em que o turista se assume como ator (a partir de Richards, 2001):  
- a criatividade possui maior potencial para criar valor pela sua escassez; - a criatividade permite aos destinos inovar e conceber novos produtos com maior rapidez, conseguindo estabelecer vantagens competitivas em rela√ß√£o a outros locais; - a criatividade √© um processo, pelo que, os recursos criativos s√£o mais sustent√°veis e infinitamente renov√°veis (veja-se o crescimento de festivais culturais e de arte por toda a Europa); - a criatividade √© m√≥vel, podendo inclusive ser produzidos nalguns casos de forma virtual em qualquer local, sem que tenha que coexistir um n√ļmero concentrado de recursos culturais e  patrimoniais. 
O turista quer experimentar os cheiros, os sabores, os sons, o toque de uma cultura. Quem √© que lhe ir√° fornecer estas experi√™ncias? Algumas atra√ß√Ķes culturais come√ßam a orientar-se para os seus visitantes. Richards (2001:66) refere a t√≠tulo de exemplo, os museus que se assumem cada vez mais como ¬ęf√°bricas de significados¬Ľ e promovem workshops interativos entre o museu e os seus visitantes. Esta op√ß√£o, conforme refere, n√£o √© f√°cil para as atra√ß√Ķes culturais e para os destinos, pois pressup√Ķe a escolha de narrativas e interpreta√ß√Ķes a partir dos visitantes, e n√£o somente a partir de dados hist√≥ricos e cient√≠ficos. Aquilo que se acusou o turismo de estar a fazer √† cultura e ao patrim√īnio cultural ¬Ė pelo processo de transforma√ß√£o em mercadorias estandardizadas (com modification) ¬Ė deu lugar a experi√™ncias tur√≠sticas √ļnicas e individualizadas. Numa economia de experi√™ncias, o consumo passivo dos servi√ßos culturais tender√° a modificar-se e a assumir-se de forma crescente como um tipo de consumo mais participativo, envolvendo intera√ß√£o, aprendizagem e execu√ß√£o (vide Figura II onde procuramos sistematizar esta muta√ß√£o). 
O sucesso e emerg√™ncia destas iniciativas est√£o associadas ao desenvolvimento de estrat√©gias de desenvolvimento local que tornem as regi√Ķes atrativas √† cria√ß√£o e fixa√ß√£o das ind√ļstrias culturais. R. Florida (2002) aponta tr√™s factores principais: talento (t√™m que existir pessoas relacionadas com as atividades criativas e oportunidades de emprego para que a√≠ se fixem); tecnologias (as cidades devem ter uma alta capacidade de inova√ß√£o tecnol√≥gica e a presen√ßa de universidades que promovam o conhecimento e que pela investiga√ß√£o, disponibilizem transfer√™ncia de capital para as empresas e originem iniciativas de empreendedorismo); toler√Ęncia (o talento √© atra√≠do para locais que sejam cosmopolitas, inclusivos, abertos de esp√≠rito e culturalmente criativos). Neste √ļltimo elemento, Florida (2002) prop√Ķe 3 √≠ndices para avaliar a toler√Ęncia da comunidade: "bo√©mios", "gay" e "emigrantes". Os exemplos mais paradigm√°ticos destas estrat√©gias criativas apontam para as cidades inglesas p√≥s-desindustrializa√ß√£o: Sheffield, Birmingham, Glasgow, s√£o as refer√™ncias mais comuns. Podemos referir tamb√©m Barcelona ou Bilbao. No entanto, este movimento est√° em crescendo e em 2003, no Estado de Ont√°rio (Canada) foi concebido um projecto intitulado "Creative City Network of Canada" (2004-2006) e que tem por base uma organiza√ß√£o de pessoas que trabalham nas entidades municipais de 6 cidades do Canada nos dom√≠nios da cultura, do patrim√≥nio, das artes em geral, mas tamb√©m no planeamento, no desenvolvimento e no apoio, e que t√™m a responsabilidade de desenvolver e promover experi√™ncias associadas a estes dom√≠nios, das quais podemos referir como exemplo, os workshops para fazer artesanato local (cestaria) ou para aprender os segredos da cozinha regional (http:// creativecity.ca, 2003). 
J√° em 1999 a entidade respons√°vel pelo TWA (Tourism Western Australia) promovia testes aos n√≠veis de interesse dos turistas que visitavam a Austr√°lia, em rela√ß√£o a propostas de viver experi√™ncias relacionadas com a cultura Abor√≠gene. 
Nos EUA, os exemplos de cidades que adoptaram as artes e a cultura para se reinventarem e revitalizarem as suas economias multiplicam-se. Podemos referir o exemplo de Philadelphia que, na d√©cada de 90, apresentava √≠ndices de estagna√ß√£o e de envelhecimento na popula√ß√£o, e de fuga para outros locais da popula√ß√£o mais jovem, associados a taxas de emprego inferiores √† da regi√£o. Determinaram a cultura como elemento principal para a revitaliza√ß√£o das √°reas abandonadas e criaram para o efeito a Cultural Alliance, que congrega um conjunto de 270 organiza√ß√Ķes sem fins lucrativos com o objectivo de aumentar a notoriedade, a participa√ß√£o e o suporte √†s artes e √† cultura na regi√£o, e assume a responsabilidade do planeamento da cultura e das artes na regi√£o da Philadelphia. 
Em 2003 na Nova Zel√Ęndia, pelas m√£os de um dos "pais" do conceito de ¬ęTurismo Criativo¬Ľ nasceu a organiza√ß√£o ¬ęCreative Tourism¬Ľ (Raymond, 2006). C. Raymond e G. Richards perspectivam o turismo criativo como um desenvolvimento do turismo cultural, reconhecendo que o turista da actualidade procura um envolvimento activo com as popula√ß√Ķes locais e os seus costumes e tradi√ß√Ķes, procuram tamb√©m ¬ęlearning by doing¬Ľ. O novo turista √© algu√©m que procura a sua realiza√ß√£o pessoal pelo desenvolvimento de novas aptid√Ķes e que deseja interagir com as popula√ß√Ķes locais. 
Raymond Raymond promove atrav√©s da sua empresa alguns workshops criativos para os visitantes da Nova Zel√Ęndia que incluem: ¬ęMaori culture and traditions¬Ľ; ¬ęNew Zealand Art and Crafts¬Ľ; ¬ęNew Zealand fibre and woolcraft¬Ľ; ¬ęNew Zealand flora and fauna¬Ľ; ¬ęNew Zealand Cuisine¬Ľ. Possui para este efeito uma equipa de pessoal com uma forma√ß√£o abrangente nos dom√≠nios das artes, da cultura, do patrim√≥nio, da geografia e da gastronomia (Raymond, 2006). Um dos lemas deste criador √©: ¬ęI hear and I forget, I see and I remember¬Ľ; os estudos de marketing revelam ainda que a reten√ß√£o de informa√ß√£o e a cria√ß√£o de mem√≥rias √© ainda maior quando se executa, quando se experimenta a actividade. Verificamos assim que hoje, aquilo que os nossos antepassados faziam para subsistirem, como por exemplo, imigrarem para ir um Ver√£o apanhar l√ļpulo para a Inglaterra e serem remunerados para o efeito, pode constituir-se como uma experi√™ncia tur√≠stica pela qual este turista est√° disposto a pagar um bom pre√ßo. 
Em Outubro de 2006 realizou-se em Santa F√©, no M√©xico "The Creative Cities Planning Summit", com o objectivo de definir estrat√©gias conjuntas para revitalizar a economia tur√≠stica e desenvolver o conceito de ¬ęturismo criativo¬Ľ (http://www.freenewmexican.com/ news/ 51274.html, 2006). A presidente da autarquia local em declara√ß√Ķes √† imprensa referiu que este tipo de turismo pressup√Ķe o envolvimento com a comunidade local, uma aprendizagem da cultura de forma experimental.

Debates Correntes

Os debates actuais associados ao turismo, à criatividade e às cidades têm-se centrado nos seguintes pontos principais (Mosedale, 2006):
  1. Teorias da criatividade 
  2. Indicadores de desempenho e espa√ßos 
  3. Aspectos culturais, sociais e econ√īmicos do turismo criativo e dos espa√ßos de lazer
  4. Rela√ß√Ķes s√≥cio-espaciais do turismo, do lazer e da criatividade
  5. Pol√≠ticas culturais das cidades 
  6. Turismo, pol√≠ticas de lazer e criatividade 
  7. Teoria das políticas urbanas e, políticas de turismo e lazer
  8. Turismo criativo e locais de lazer - festivais, espet√°culos, centros desportivos, galerias de arte, museus 
  9. Criatividade, turismo e lazer, exclus√£o e marginaliza√ß√£o 
  10. Espa√ßos urbanos, criatividade individual, turismo e lazer 
  11. Lazer e criatividade em geral 
Alguma discuss√£o tamb√©m tem existido em rela√ß√£o ao que se deve considerar como englobado no conceito de ¬ęind√ļstrias criativas¬Ľ, bem como, em rela√ß√£o aos instrumentos a utilizar para a quantifica√ß√£o e a medi√ß√£o do peso que as ind√ļstrias culturais e criativas possuem sobre a economia (idem, ibidem). Segundo Richards (2006) as ind√ļstrias criativas incluem a moda, o design, o cinema, o multim√©dia em geral e o entretenimento, propondo para o conceito de ¬ęTurismo Criativo¬Ľ a inclus√£o do turismo cultural e patrimonial em geral, das artes, e dos estilos de vida (costumes e tradi√ß√Ķes, gastronomia, folclore, etc.). 
Paul Jeffcutt (cit. in Mosedale, 2006) reconhece que as din√Ęmicas das ¬ęind√ļstrias criativas¬Ľ s√£o complexas e representam um desafio consider√°vel para os investigadores e para os respons√°veis pol√≠ticos sobretudo na conceptualiza√ß√£o e operacionaliza√ß√£o do seu desenvolvimento. As inter- rela√ß√Ķes que este tipo de estrat√©gia envolve numa regi√£o s√£o in√ļmeras e englobam agentes de diferentes sensibilidades que nem sempre s√£o f√°ceis de consensualizar. Como aspecto mais positivo desta rela√ß√£o apontamos o reconhecimento un√Ęnime, pelos investigadores e estudiosos do fen√īmeno tur√≠stico, da cultura e do patrim√īnio como mat√©rias principais na gest√£o e planeamento do turismo (Costa, 2005; Gon√ßalves, 2003; Gunn, 1994; Inskeep, 1991; entre outros).

Estrat√©gias Associadas √†s ¬ęInd√ļstrias Criativas¬Ľ  e ao Turismo

As cidades para criar uma imagem diferenciada e atrair turistas t√™m-se centrado em quatro grandes op√ß√Ķes estrat√©gicas de regenera√ß√£o associadas √†s ind√ļstrias criativas e ao turismo (a partir de Richards e Wilson (2005): 
Cria√ß√£o de Estruturas/Equipamentos √ćcone: cria√ß√£o de √≠cones arquitect√≥nicos para atrair visitantes (ex. Museu Guggenheim em Bilbao). 
Mega Eventos: promo√ß√£o de grandes eventos como os Jogos Ol√≠mpicos ou as Capitais Europeias da Cultura. 
Tematiza√ß√£o: criar um tema como base para uma narrativa (Idade M√©dia; Ordens Religiosas; Ano de Mozart). 
"Explora√ß√£o" do Patrim√≥nio cultural : utiliza√ß√£o dos vest√≠gios do passado para desenvolver o turismo (Pompeia; Bruges; √Čvora). 
Pode-se igualmente constatar que o modelo de desenvolvimento urbano de algumas cidades (pelo seu sucesso) esteve na origem de um movimento internacional de imita√ß√£o: Baltimore (desenvolvimento da Frente Ribeirinha); Bilbao (desenvolvimento a partir do museu-√≠cone); York (explora√ß√£o do passado); Barcelona (estrat√©gia de regenera√ß√£o conduzida pelos eventos); s√£o algumas das refer√™ncias citadas por Richards e Wilson (2005). 
Estas estrat√©gias t√™m, no entanto, gerado algum criticismo pelos custos que envolvem e por serem imita√ß√£o de outras, pelo que ser√° necess√°rio criar modelos alternativos. 
Evans (2007) numa abordagem cr√≠tica √† emerg√™ncia deste novo paradigma procurou sistematizar aquilo que identifica como caracterizador das comunidades criativas, estabelecendo desta forma as fronteiras com as comunidades/cidades culturais. Assim, segundo este autor, a comunidade criativa reunir√° uma ou mais das seguintes caracter√≠sticas (idem, ibidem): 
  • Cultura cosmopolita 
  • Consumo e produ√ß√£o criativa
  • Clusters criativos 
  • Classe criativa - ¬ęNovos bo√™mios¬Ľ
  • Mercados de Arte e comercializa√ß√£o de artefactos culturais 
  • Vantagens comparativas 
  • Cidade do design 
De salientar que Evans (2007:10) aponta tamb√©m para a necessidade de estrat√©gias de marketing individualizadas e para novas formas de coopera√ß√£o baseadas em projetos. 
Por sua vez, Richard e Wilson (2005) identificam tr√™s formas de reconvers√£o do turismo cultural tendo em vista a criatividade: 
  1. A promo√ß√£o de ¬ęespet√°culos criativos¬Ľ- atividades criativas que servem de base a experi√™ncias tur√≠sticas mais passivas. 
  2.  O desenvolvimento de ¬ęespa√ßos criativos¬Ľ- espa√ßos demarcados povoados por indiv√≠duos que se dedicam a atividades criativas, que num primeiro momento informalmente conseguem atrair visitantes. Estes espa√ßos tornam-se atrativos quer emocionalmente quer visualmente sedutores e, regra geral, atraem quer turistas culturais, quer turistas de fim de-semana. 
  3. A participa√ß√£o dos turistas em ¬ęatividades criativas interativas¬Ľ - quando os turistas eles pr√≥prios participam nas atividades criativas, envolvendo-se em experi√™ncias tur√≠sticas criativas. Pode resultar da converg√™ncia entre os espet√°culos e os espa√ßos criativos. 
Os espa√ßos criativos s√£o normalmente vazios de ideias/temas fixos, pois s√£o espa√ßos multi-funcionais e podem ser flex√≠veis √†s narrativas particulares. Em cidades como Roterd√£o, Manchester e Barcelona estes espa√ßos re√ļnem um conjunto de residentes permanentes associados ao desenvolvimento de determinados clusters. Em v√°rias zonas rurais houve tamb√©m tentativas de desenvolvimento de clusters criativos a partir de designers e produtores de artesanato que t√™m estado na origem de fluxos de turismo cultural. Em Barcelona, a cozinha √© 
uma uma atrac√ß√£o principal, oferecendo-se ap√≥s uma visita guiada ao mercado "La Boqueria", a oportunidade de cozinhar com um professor famoso e, com a ajuda do grupo, dois pratos e uma sobremesa t√≠picas da cozinha regional Catal√£ (Richards e Wilson, 2005). Tamb√©m na Irlanda do Norte, j√° se disponibilizam experi√™ncias criativas aos turistas associadas a visitas a castelos, a aventuras fotogr√°ficas e a trilhos de descoberta do patrim√≥nio (http://www. creativetourism.net, 2006). 
R. Florida (2002) identificou a emerg√™ncia de uma classe criativa e aponta como um dos grandes respons√°veis pelo consumo criativo a necessidade de auto desenvolvimento e da√≠ a procura de experi√™ncias que proporcionem aprendizagem. 
Estes "produtos" d√£o resposta ao desejo de inovar, criando propostas distintas que v√£o ao encontro de necessidades espec√≠ficas dos consumidores (ou melhor, dos turistas). Segundo, Richards e Wilson (2005) estas ofertas parecem servir como ant√≠doto para uma reprodu√ß√£o em s√©rie que tem sido desenvolvida pelos destinos tur√≠sticos e emerge como uma nova forma de envolvimento por parte do turista. 
Por sua vez, o ¬ęTurismo Criativo¬Ľ depende largamente de um envolvimento ativo dos turistas j√° que pressup√Ķe uma intera√ß√£o reflexiva da sua parte. Richards e Wilson (2005:3) referem como fundamental para o desenvolvimento do ¬ęTurismo Criativo¬Ľ, conseguir-se proporcionar um contexto em que a experi√™ncia n√£o s√≥ se torna um espa√ßo de aprendizagem, mas tamb√©m se traduz numa transforma√ß√£o do "eu". 
No conceito de ¬ęTurismo Criativo¬Ľ o mais importante para os respons√°veis pela gest√£o √© que a criatividade deve ser um atributo do processo de produ√ß√£o, assim como do processo de consumo. Por outro lado, tamb√©m √© desej√°vel que a criatividade local esteja associada aos mercados globais, por exemplo, atrav√©s de √≠cones e temas globais (Richards, 2006) (e.g. ). Descobrimentos, em Portugal; Gaud√≠, em Barcelona). 
Uma das medidas a concretizar para que estas "cidades criativas" promovam o desenvolvimento de clusters associados ao turismo e √† cultura e para que sejam uma realidade em Portugal tem que ver com ¬ęo desenvolvimento de sistemas organizacionais que tragam as organiza√ß√Ķes culturais para o centro do processo de tomada de decis√Ķes (¬Ö)¬Ľ (Costa, 2005:294), no que ao turismo diz respeito.

Conclus√£o

A rela√ß√£o entre a criatividade e o turismo ainda est√° a dar os primeiros passos, mas possui na nossa perspectiva, um grande potencial de desenvolvimento em face da emerg√™ncia de novas necessidades de lazer, da crescente necessidade de reinven√ß√£o das economias, dos novos consumos, das novas tend√™ncias de regenera√ß√£o urbana. 
Subsiste-nos uma quest√£o principal: Porque continuamos a recusar estrat√©gias para o desenvolvimento do turismo assentes nas din√Ęmicas culturais e patrimoniais? O que esperam os agentes culturais para cooperar com os do turismo no sentido de tornar o Algarve uma regi√£o criativa? 
Por um lado, parece-nos que j√° reunimos algumas das condi√ß√Ķes apontadas para construir a criatividade de na nossa comunidade e, por outro lado, acreditamos que existem claras vantagens competitivas na regi√£o para a afirma√ß√£o de uma estrat√©gia baseada nestes elementos. N√£o ser√° este o momento de renovar a estrat√©gia de desenvolvimento regional a partir destes vectores: Turismo, Criatividade e Cultura (no seu sentido mais abrangente)? 
A n√≠vel internacional este movimento, que se come√ßa a generalizar - de desenvolvimento de estrat√©gias criativas de regenera√ß√£o dos tecidos econ√īmicos e sociais, a partir da cultura e do turismo -, poder√° ter ra√≠zes, num Estado menos interventor, em pol√≠ticas mais liberais, no incentivo ao empreendedorismo e ao auto emprego, para al√©m de outros fen√īmenos sociais, que dever√£o ser identificados por investiga√ß√£o cient√≠fica a promover. Tamb√©m ter√£o contribu√≠do as iniciativas como as Capitais Europeias da Cultura e a necessidade de recupera√ß√£o das cidades p√≥s industriais, associados a um aumento dos n√≠veis de educa√ß√£o da popula√ß√£o e da percentagem de empregos associados √†s artes e √† cultura. 
Para que este tipo de turismo possa ser uma realidade √© fundamental que a sociedade civil e os agentes respons√°veis pelas pol√≠ticas de desenvolvimento do destino tur√≠stico estabele√ßam uma pol√≠tica de turismo cultural e envolvam todas as partes interessadas, de forma cooperativa e ativa. Devem ser desenvolvidos programas de sensibiliza√ß√£o da comunidade para educar o p√ļblico acerca dos benef√≠cios do turismo e como podem eles efetivamente participar nos programas tur√≠sticos, assim como, a sua responsabilidade como receptores de turismo.
  1. Sobre a defini√ß√£o de turismo cultural e a discuss√£o em torno do conceito (e porque n√£o se estabeleceu como um objectivo do presente artigo), remetemos para a nossa obra publicada Gon√ßalves, M.¬™ Alexandra (2003) O patrim√≥nio cultural nas cidades como oferta complementar ao produto ¬Ďsol e praia¬í no Algarve, colec√ß√£o ¬ęTemas de Turismo¬Ľ, Instituto de Financiamento e Apoio ao Turismo/GEPE/Minist√©rio da Economia. 
  2. Termo utilizado para se referir a conglomerados ou concentra√ß√Ķes geogr√°ficas de empresas interligadas que actuam num mesmo sector de fornecedores especializados, provedores de servi√ßos e institui√ß√Ķes associadas, tendo em comum, al√©m da localiza√ß√£o, a contribui√ß√£o para o desenvolvimento de produtos dessa regi√£o. S√£o norteadas por princ√≠pios como a coopera√ß√£o, a complementaridade, o senso de comunidade e a competi√ß√£o. 
  3. B. Pine e J. Gilmore (1999), The Experience Economy. Harvard University Press, Boston.

Referências Bibliográficas

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Outros endereços eletrónicos consultados na internet

http://www.creativetourism.net, [on-line] 20/12/2006. http://www.freenewmexican.com/news/51274.html, [on-line] 20/12/2006. http://www.geografiasdohiphop.blogspot.com/,[on-line] 20/12/2006

Outra Bibliografia consultada

CABRINI, L. (2002), ¬ęCultural Heritage and Tourism Development¬Ľ, in A Report on the International Conference on Heritage, New Technologies and Local Development, OMT, Madrid (doc. policopiado).





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