Instituto Pensar - Cultura, Indústrias e Economia Criativa

Cultura, Indústrias e Economia Criativa

Segundo o professor Paulo Miguez, tudo começa com o avanço do capitalismo sobre a “esfera da circulação de bens culturais entre os séculos XVIII e XIX transformando-os em mercadorias. Ou seja, liberta das imposições históricas do mecenato e dos ditames da Igreja Católica, a cultura estabelece uma relação direta com um público consumidor direto dos seus produtos (...) o mercado”. A partir daí, os bens culturais passam a ser concebidos já como mercadorias no momento da sua criação. Produtos destinados à troca e ao mercado.

Depois,em finais do século XIX, “os avanços tecnológicos na reprodução técnica de textos, imagens e sons, especialmente com o advento da fotografia e do cinema, são criadas as condições para o desenvolvimento de um mercado de bens e serviços culturais de proporções crescentes”, ainda segundo Miguez.

E assim, historicamente, vamos da “mercantilização da cultura” para a fase mais recente da “culturalização das mercadorias”.

Isso ocorre da produção de aviões e automóveis, até computadores e celulares, móveis e vestuário, desenhados a partir de uma vertente cultural. 

As mercadorias já passam a ser produzidas com conteúdo cultural, com valor determinado pela quantidade de inteligência e pela qualidade do seu design agregado ao produto final.

Nos EUA em 2013, por exemplo, 6,7% do PIB norte americano, ou seja U$ 1,1 trilhão já é composto por produtos ou distribuição de bens que se caracterizam fundamentalmente por incorporar propriedade intelectual (livros, revistas, jornais, cinema, rádio, TV, DVDs, softwares para negócios e entretenimento). Ou seja, produção de conteúdo.

Se somados produção-de-conteúdo + produção-de-equipamentos relativos a essas áreas, como TVs, aparelhos de som, câmeras, esse valor sobe para U$ 1.9 trilhão, ou seja 11,44 % do PIB norte americano. Isso equivale a 81% do PIB brasileiro – do mesmo ano de 2013 que foi de U$ 2,3 trilhões. Também nos EUA as indústrias criativas cresceram a uma taxa superior a economia nacional.

Dessa forma, o conceito de riqueza saiu inicialmente da Agricultura para a Industria, depois da Industria para os serviços (terciários) a daí para os campos simbólico e informacional (quaternário), segundo Ignácio Quintana, escritor e mestre em Filosofia e Sociologia, já registrara em 1990.

 



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