Instituto Pensar - John Howkins: economia criativa e as universidades

John Howkins: economia criativa e as universidades

¬ĎUniversidade tem de ensinar a empreender¬í, 

diz especialista em economia criativa


Al√©m de desenvolver o talento individual, a universidade tem de dar a oportunidade para o aluno empreender e prosperar profissionalmente. Essa √© a opini√£o do consultor brit√Ęnico John Howkins, refer√™ncia internacional e autor do livro Economia Criativa. Para ele, empreender √© o caminho do futuro. Leia a seguir, a entrevista que Howkins deu ao Estado:


Como educar os universit√°rios para que eles se insiram no contexto da economia criativa?

Os estudantes precisam entender duas coisas: como desenvolver seus talentos e como transformar suas ideias em sucesso. Na universidade, o desenvolvimento do talento pessoal √© priorit√°rio, mas acredito que deva ser dada ao aluno a oportunidade de prosperar profissionalmente. Assim, as institui√ß√Ķes devem ensinar a empreender e permitir que os alunos, se quiserem, aprendam como √© a opera√ß√£o da profiss√£o que escolheram e compreendam os conceitos b√°sicos de uma estrutura de ind√ļstria - gest√£o, plano de neg√≥cios, finan√ßas e propriedade intelectual. O objetivo imediato da universidade √© ajudar o estudante a conseguir um emprego em que possa florescer, mas √© preciso ir al√©m. Por exemplo, os arquitetos t√™m de saber sobre as rela√ß√Ķes com clientes, contratos e como a sustentabilidade e o biomimetismo operam comercialmente; artistas visuais precisam saber sobre o mundo das artes: est√ļdios, agentes, galerias, feiras, leil√Ķes e assim por diante.

Como as universidades podem ajudar os estudantes?

Há duas maneiras. Em primeiro lugar, oferecendo cursos sobre temas com base nos princípios da economia criativa. Depois, fornecendo métodos específicos, como mentoring (espécie de tutoria em que um profissional mais experiente orienta os mais novos) e trabalhos de campo e de projetos, para que os alunos possam se reunir e colaborar com os melhores profissionais de sua área.

√Č poss√≠vel estimular a criatividade?

A criatividade é algo pessoal, que vem de dentro de nós. Começamos com os próprios instintos, desejos e curiosidades - nossa vontade de criar algo novo, interessante e maravilhoso. Porém, nós não podemos fazer tudo sozinhos. Precisamos de outras pessoas para desencadear ideias e nos ajudar. Ou seja, a criatividade vem da interação entre a nossa própria imaginação e aquilo que vivenciamos no mundo. A inspiração pode vir de qualquer lugar, a qualquer momento: durante o dia, à noite, quando estamos a sós ou com amigos ou colegas. As pessoas criativas aprendem a gerir esse processo. As universidades podem ajudar promovendo cursos em horários especiais, lugares e estruturas de apoio, em que os alunos possam aprender como fazer isso.

Como viabilizar as boas ideias e transformá-las em negócio?

√Č preciso buscar o equil√≠brio entre a satisfa√ß√£o que n√≥s temos e a que podemos gerar em outras pessoas. Na pr√°tica, todo mundo quer duas coisas: fazer o melhor trabalho que puder e produzir algo que o mercado queira. Ent√£o, precisamos estabelecer nosso pr√≥prio equil√≠brio entre os dois objetivos. Refiro-me a isso como dois ju√≠zes. O primeiro juiz verifica as nossas ideias e pergunta: "Esse √© o melhor que podemos fazer? ". J√° o segundo verifica o seu prov√°vel sucesso no mercado. De maneira mais clara, os fatores-chave para a segunda fase s√£o conhecer o mercado e saber negociar, como gerir uma empresa e como atingir o p√ļblico.

Empreender é o caminho para o profissional do futuro?

Sim. As pessoas criativas est√£o sempre aprendendo como melhorar e fazer o seu trabalho de forma melhor. √Č um ciclo cont√≠nuo de aprendizagem e adapta√ß√£o. Respeitamos as pessoas que assumem riscos e tentam sempre expressar algo novo.

Quais s√£o os valores da economia criativa? 

Os valores s√£o baseados na diversidade, liberdade, ambi√ß√£o, toler√Ęncia e curiosidade.

O senhor está desenvolvendo um trabalho em uma universidade brasileira. Há diferenças nas ideias ou nas potencialidades dos alunos daqui em relação aos de outros países?

Acredito que os alunos de todos os pa√≠ses t√™m muitos sentimentos, ambi√ß√Ķes e preocupa√ß√Ķes semelhantes. Na maioria das √°reas, como moda e arquitetura, as pessoas est√£o conscientes tanto de sua cultura como das tend√™ncias globais. Tenho certeza de que meus alunos em Londres e Xangai t√™m muito em comum com os de S√£o Paulo. Por√©m, cada pa√≠s, cidade e gera√ß√£o tem as pr√≥prias refer√™ncias culturais e as pr√≥prias ideias, m√≠dias, modelos de neg√≥cios e desafios. Arte e design em S√£o Paulo est√£o totalmente ligados √† hist√≥ria cultural do Pa√≠s, de seu povo e de suas institui√ß√Ķes.

Obst√°culo cultural. Com 15 gradua√ß√Ķes, 16 especializa√ß√Ķes e 5 mil alunos, o Centro Universit√°rio Belas Artes procurou John Howkins para reformular seus cursos com foco na economia criativa. Para o pr√≥-reitor Acad√™mico do Belas Artes, Sidney Leite, o maior obst√°culo √© cultural. "O empreendedorismo n√£o faz parte do universo dos alunos nem de alguns professores. Precisamos mudar a forma de pensar os cursos. " Al√©m de oferecer aulas sobre economia, o centro pretende promover novas din√Ęmicas, laborat√≥rios e incentivo a startups.

Fonte: Estad√£o



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