Instituto Pensar - Economia criativa - Onde? Quem? Como? Quando?

Economia criativa - Onde? Quem? Como? Quando?

S√£o termos e express√Ķes que voc√™ precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que v√£o impulsionar seus neg√≥cios ou para te ajudar a falar a mesma l√≠ngua de mentores e investidores. O verbete de hoje √©¬Ö 

ECONOMIA CRIATIVA O que acham que √©: Qualquer atividade que envolva criatividade. 

O que realmente √©: ¬ďA economia criativa abrange todo o ambiente de neg√≥cios que existe em torno da ind√ļstria criativa, aquela baseada em bens e servi√ßos criativos¬Ē, afirma Ana Carla Fonseca, professora do MBA em Bens Culturais da Funda√ß√£o Get√ļlio Vargas/SP. Para entrar na defini√ß√£o, o produto criativo precisa gerar valor, produzir riqueza. Assim, tocar viol√£o nas horas vagas ou fazer um filme com os amigos, apesar de atividades criativas, s√≥ v√£o fazer parte da economia criativa se algu√©m estiver lucrando diretamente com elas ¬ó ou pelo menos tentando. Para entender melhor a economia criativa, √© bom pensar em dois conceitos-chave: ¬ďintangible assets¬Ē (bens intang√≠veis) e propriedade intelectual. O primeiro diz respeito a obras que n√£o podem ser tocadas fisicamente, como o conte√ļdo de um livro, softwares, m√ļsicas ou filmes, mas que podem ter alto valor intelectual e comercial. A marca ¬ďCoca-Cola¬Ē (n√£o o refrigerante, mas a marca em si) √© um bom exemplo: √© s√≥ um desenho associado a um nome, mas √© tamb√©m um dos bens mais valiosos do mundo. J√° propriedade intelectual √© o conjunto de prote√ß√Ķes que podem ser dadas a esses bens intang√≠veis, como copyrights e patentes ¬ó e que ajudam a identificar o valor comercial das obras. Segundo Ana Carla Fonseca, que √© refer√™ncia internacional em economia criativa e cidades, al√©m de s√≥cia da consultoria Garimpo de Solu√ß√Ķes, uma das caracter√≠sticas dessa economia √© o efeito ¬ďnobody knows¬Ē (ningu√©m sabe): cada vez que se cria um novo produto, ele sair√° diferente dos anteriores.

Quem inventou: Os especialistas concordam ter sido no Reino Unido o surgimento da ideia de uma economia criativa, que precisava de aten√ß√£o e pol√≠ticas p√ļblicas diferentes das de outros setores. √Č do autor brit√Ęnico John Howkins o m√©rito de condensar todas as discuss√Ķes que vinham surgindo naquele momento e explicar o termo ao mundo, com o bestseller The Creative Economy ¬Ė How People Make Money From Ideias (no Brasil, Economia Criativa ¬Ė Como Ganhar Dinheiro com Ideias Criativas), de 2001. 

Quando foi inventado: ¬ďEm um relat√≥rio de 1983, publicado pela primeira-ministra Margaret Thatcher, pela primeir√≠ssima vez se reconheceu oficialmente a import√Ęncia de √°reas ligadas √† tecnologia e √† criatividade para o crescimento econ√īmico do Reino Unido¬Ē, afirma Renata Reps, mestre em Ind√ļstrias Criativas pela Universidade Paris 8. Quase dez anos depois, em 1994, o ent√£o primeiro ministro Australiano Paul Keating publicou pol√≠ticas p√ļblicas voltadas para a cultura, em um documento chamado Creative Nation, que j√° trazia o termo economia criativa. Logo depois, o primeiro ministro brit√Ęnico Tony Blair incluiu o assunto em sua plataforma de governo, durante sua campanha para o cargo de primeiro ministro. Era um momento de grandes mudan√ßas, de tentar entender um mundo que ia ficando cada vez mais digital, r√°pido e competitivo (com modelos de celulares mudando a cada ano, por exemplo), al√©m de haver um grande p√Ęnico em torno da globaliza√ß√£o. ¬ďNesse contexto, foi ficando claro que, de duas uma: ou a economia se basearia nos melhores pre√ßos ou na diferencia√ß√£o, ou seja, no valor agregado. E, para fazer servi√ßos e bens diferentes, voc√™ vai ter que reconhecer o talento humano, que √© a pe√ßa mais importante nessa nova economia¬Ē, diz Ana Carla Fonseca. Para estimular a economia criativa, investimentos em educa√ß√£o, por exemplo, passaram a ser vistos como essenciais. 

Para que serve: A economia criativa responde hoje por boa parte da gera√ß√£o de renda e empregos em v√°rios pa√≠ses. Como a l√≥gica dos bens criativos √© diferente da de outras ind√ļstrias, a exemplo das da constru√ß√£o ou da alimenta√ß√£o, que seguem um modelo de produ√ß√£o e distribui√ß√£o mais tradicional, entender como funciona a economia criativa ajuda na hora de criar pol√≠ticas p√ļblicas, organizar redes de inova√ß√£o, proteger propriedades intelectuais e estimular o mercado em torno delas. ¬ďA ideia √© gerar atividades alternativas ao modelo vigente, que aumentem o fluxo de intelig√™ncia dos neg√≥cios, incentivem a gera√ß√£o de networking entre diferentes √°reas, unam grupos criativos dispersos e promovam talentos individuais¬Ē, diz Renata Reps, que j√° foi respons√°vel pela divulga√ß√£o da imagem do Reino Unido no Brasil.

Quem usa: Exemplos de empresas que fazem parte da economia criativa est√£o por toda parte: das startups que fabricam aplicativos ou lan√ßam modelos de neg√≥cios disruptivos, √†s produtoras de v√≠deo, m√ļsicos, publicit√°rios, programadores, designers e artistas que fazem de produtos e servi√ßos criativos o seu ganha-p√£o. Recentemente, o time por tr√°s do canal Porta dos Fundos ganhou destaque por faturar alto com esquetes patrocinadas por grandes marcas no YouTube. Aqui no DRAFT, a lista de exemplos de neg√≥cios criativos √© grande. S√≥ para citar os mais recentes, fazem parte da economia criativa hist√≥rias como as da Bebel Books, do Update or Die, Think Eva, Perestroika, Box 1824, Souartistapro e √Čnois. Outro bom exemplo √© o Project Hub, que promove o pr√™mio Brasil Criativo, para as melhores iniciativas na √°rea. 

Efeitos colaterais: Uma das maiores dificuldades da economia criativa √© mensurar o valor de um bem ou servi√ßo (diferentemente de um smartphone ou de uma geladeira, por exemplo, que t√™m pre√ßo de mercado claro). ¬ďA l√≥gica de mercado muda um pouco, j√° que esses bens t√™m mais valor simb√≥lico do que funcional, um valor mais imaterial do que material. S√£o bens e servi√ßos de valores relativamente altos e que n√£o est√£o necessariamente ligados aos seus custos de produ√ß√£o, mas sim ao objetivo de oferecer experi√™ncias √ļnicas ao consumidor¬Ē, afirma Renata Reps.

Quem √© contra: A maior controv√©rsia √© sobre quais setores fazem parte da economia criativa ou n√£o. Mundo afora, gastronomia, turismo, esportes e educa√ß√£o s√£o defendidos por alguns especialistas e exclu√≠dos da lista por outros. No Brasil, a secretaria de economia criativa, que existe dentro do Minist√©rio da Cultura, a classifica em 20 setores: artes c√™nicas, m√ļsica, artes visuais, literatura e mercado editorial, audiovisual, anima√ß√£o, games, software aplicado √† economia criativa, publicidade, r√°dio, TV, moda, arquitetura, design, gastronomia, cultura popular, artesanato, entretenimento, eventos e turismo cultural. Outro grande debate √© sobre quais org√£os ou pastas deveriam cuidar do assunto. Enquanto no Brasil as pol√≠ticas p√ļblicas pras ind√ļstrias criativas ficam a cargo do Minist√©rio da Cultura, na Indon√©sia h√° o Minist√©rio do Turismo e da Economia Criativa. Em Buenos Aires, quem cuida do assunto √© o Minist√©rio do Desenvolvimento. H√° ainda um time de importantes te√≥ricos sobre o assunto, como Justin O¬íConnor e Ga√ętan Tremblay, que acreditam que n√£o faz sentido ditar quais setores s√£o criativos ou n√£o, porque a criatividade deve ser aplicada a qualquer √°rea da economia. 

Para saber mais:
 
1)  Leia o livro The Creative Economy, de John Howkins. 
2) Leia o livro Empreendedorismo Criativo, de Mariana Castro, que traz nove hist√≥rias completas sobre novos empreendedores brasileiros e seus empreendimentos criativos. 
3) Assista ao document√°rio PressPausePlay, que discute as mudan√ßas da arte e da criatividade na era digital. 
4) Veja a entrevista que John Howkins concedeu ao DRAFT. 
5) Leia o guia que a Amcham acaba de publicar para investidores estrangeiros, sobre a economia criativa no Brasil. 

Fonte: projetodraft



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