Instituto Pensar - Como ¬Ė e por que ¬Ė os jovens e a Economia Criativa s√£o a pauta do dia nos bastidores da TV Globo

Como ¬Ė e por que ¬Ė os jovens e a Economia Criativa s√£o a pauta do dia nos bastidores da TV Globo

A Economia Criativa nunca esteve t√£o presente na pauta da TV Globo como agora. Um viva. Aos 50 anos rec√©m-completados, o que a maior emissora do pa√≠s quer se conectar com os jovens e, nesse sentido, vem elaborando um movimento de reconhecimento e aproxima√ß√£o de mentes criativas n√£o necessariamente forjadas l√° dentro. Esse movimento, que vinha acontecento gradualmente, ganhou um refor√ßo h√° tr√™s anos com a chegada do publicit√°rio S√©rgio Valente, 51, ex-presidente da DM9DDB, para ser o diretor de Comunica√ß√£o da Globo. 

"A filosofia por tr√°s desse trabalho √© pensar nos pr√≥ximos 20 anos. Precisamos ser relevantes para esse p√ļblico, seja ele um futuro talento, um consumidor ativo ou em forma√ß√£o", diz S√©rgio. Para tanto, coube a ele reunir tudo o que a TV j√° tinha de bagagem nesse sentido, al√©m de reprogramar e formatar novos projetos. A seu lado, como uma esp√©cie de bra√ßo direito, est√° Viridiana Bertolini, 44, que √© gerente de Desenvolvimento Institucional e a respons√°vel pelo Globo Universidade, o que j√° a coloca bem pr√≥xima do p√ļblico jovem.

 Com uma estrat√©gia em mente (e muita experimenta√ß√£o pelo caminho tamb√©m), a Globo passou a se dedicar a identificar jovens empreendedores e a ampliar o relacionamento com uma nova gera√ß√£o de produtores independentes, gente que est√° a fim de arriscar novos formatos e novas linguagens. S√©rgio afirma que essa, e outras, aberturas s√£o algo inescap√°vel hoje em dia: "Uma marca esperta √© aquela que fala com o seu lover, seu hater, seu usu√°rio e seu desconhecido". 

Ent√£o temos, hoje, a maior e mais bem sucedida emissora de TV do pa√≠s de portas abertas para jovens empreendedores, novos criativos, tudo novo. H√° uma s√©rie de projetos nesse sentido. Talvez o mais emblem√°tico seja o Globo Lab, um laborat√≥rio de ideias que tem o objetivo de fomentar a produ√ß√£o de conte√ļdo para a internet. O objetivo √© atrair interessados em roteiro para m√≥dulos de conversa e oficinas pr√°ticas. Na √ļltima etapa, 1 300 pessoas se inscreveram e 20 semifinalistas participaram de etapas avan√ßadas. Agora, 10 finalistas seguir√£o no programa e a webs√©rie concebida pelo campe√£o ser√° produzida pela Globo. 

Tamb√©m para encontrar novos ares no audiovisual h√° o Curtas Universit√°rios, que est√° em sua quarta edi√ß√£o √© voltado especialmente a estudantes que pretendam desenvolver document√°rios como trabalho conclus√£o de curso. O Curtas recebe inscri√ß√Ķes at√© 15 de junho. Autores dos 20 projetos selecionados ganhar√£o uma visita aos est√ļdios da emissora no Rio de Janeiro, com workshop de dois dias com profissionais da casa e, al√©m disso, 6 mil reais para realizar o document√°rio.

 Outra novidade foi o lan√ßamento recente, em Juazeiro, Bahia, de mais uma edi√ß√£o do Cadernos Globo, com o tema Vozes do Velho Chico. Inspirado na atual novela das nove, o material est√° online e √© feito em forma de livro, ou caderno, trazendo artigos de ambientalistas e estudiosos, al√©m de relatos da vida de ribeirinhos do S√£o Francisco. Com os Cadernos, a empresa aprofunda o debate e a discuss√£o sobre um temas em destaque. As edi√ß√Ķes anteriores trataram de empreendedorismo, consumo consciente, mobilidade urbana, futuro do lixo, entre outros (a lista completa est√° aqui). 

A seguir, S√©rgio e Viridiana falam mais sobre esses e outros projetos, e tamb√©m sobre a estrat√©gia tra√ßada para tentar trazer, de fato, economia criativa e o p√ļblico jovem para dentro da Globo: 

O que motivou a Globo a se aproximar, agora, sistematicamente do p√ļblico jovem? 
S√©rgio: N√£o foi algo espec√≠fico. Estudamos os diversos stakeholders e √© uma constata√ß√£o natural que, quanto mais jovem, mais experi√™ncias voc√™ quer acumular. Nesse sentido, temos um entendimento, na Globo, de que nosso maior concorrente √© o sol, o parque, a vida. A gente n√£o disputa share de audi√™ncia, mas sim, share of life. Eu preciso, ent√£o, dar argumentos relevantes para que as pessoas dediquem tempo para o entretenimento que ofere√ßo. Com esse entendimento, a marca Globo precisa ter uma estrada de conex√£o com o p√ļblico jovem. Um programa muito bem sucedido que t√≠nhamos aqui dentro, por exemplo, √© o Globo Universidade, que a Viri pilotava. 
Viridiana: E nesse mergulho no universo jovem, a gente entendeu que a busca pelo conhecimento ultrapassava o meio acad√™mico e que o jovem se formava, atualmente, por outros mecanismos. S√©rgio: Colocamos como um desafio encontrar outros canais de relacionamento com o p√ļblico. 

¬Ď¬íSeria m√≠ope pensar que s√≥ nos conectamos pela transmiss√£o da TV. Somos contadores de hist√≥rias reais, ficcionais e esportivas. Nosso core √© levar entretenimento para as pessoas, n√£o importa como¬í¬í

 Assim, entendemos que t√≠nhamos que nos conectar com esse jovem de todas as formas, seja pela audi√™ncia ou pela capacita√ß√£o de talentos. N√£o podemos achar que nos bastamos porque temos caras incr√≠veis, como o Guel (Arraes), o Silvio (de Abreu), o Walcyr (Carrasco) e o Luiz Fernando (Carvalho). Quem vai ocupar esse espa√ßo nos pr√≥ximos 20 anos? A marca Globo tem que ser desejada pelos futuros talentos. 

O que surgiu, na pr√°tica, para se conectar com esses jovens? Viridiana: O que fizemos foi ampliar o escopo. J√° t√≠nhamos um relacionamento com esse p√ļblico, mas com a chegada do S√©rgio, virou uma provoca√ß√£o: por que n√£o ampli√°-lo? S√©rgio: Pegamos tudo o que j√° faz√≠amos e come√ßamos a dar mais foco em entender, conversar e se conectar com essa mo√ßada. Fizemos uma pesquisa, que chamamos de Menos 30, e entendemos que ela deveria ser uma plataforma de relacionamento. A√≠, criamos o Papus, que nasceu com uma pegada social na qual jovens mobilizardores contavam suas hist√≥rias, mas que ampliamos. Ent√£o, come√ßamos os Curtas Universit√°rios e, ao percebermos que ainda era pouco, fizemos o Globo Lab. Ainda nessa conex√£o com o universo jovem, quando decidimos criar o logo dos 50 anos da Globo, entramos em contato com a plataforma de talento colaborativo ItsNoon e convidamos os talentos a criarem um an√ļncio para a Globo. Parece um patchwork, mas tudo segue uma estrat√©gia que s√≥ √© poss√≠vel porque existe um prop√≥sito, desenhado h√° tr√™s anos, e pela base que o antecedeu. 

Al√©m da √°rea de Comunica√ß√£o, que outras est√£o envolvidas nessas a√ß√Ķes? 
S√©rgio: Este √© um projeto da empresa toda. Outro dia me perguntaram quantas pessoas faziam parte da Comunica√ß√£o e eu respondi: 13 mil (n√ļmero de funcion√°rios da Globo). Se n√£o for assim, a marca Globo n√£o ser√° constru√≠da em todo seu potencial. Nem todo mundo est√° no mesmo diapas√£o, claro, mas nosso papel na Comunica√ß√£o, como afinador de orquestra, √© fazer com que o cara do obo√© entenda que ele tamb√©m precisa afinar em L√°. 

Quais os maiores desafios nesse trabalho? 
S√©rgio: √Č um desafio conseguir implantar tudo o que pensamos, mas um desafio partilhado pela cren√ßa do (Carlos Henrique) Schroder e dos acionistas de que a marca Globo precisa se voltar para o futuro. Criamos um projeto interno chamado "Somos uma s√≥ Globo", com o objetivo √ļnico de derrubar barreiras. Quando cheguei, vi que tr√™s programas da grade eram assinados pela Comunica√ß√£o. E a gente n√£o precisa dessa autoria, por que o compromisso precisa ser todo mundo. Ent√£o, juntamos o Globo Ecologia, o Globo Ci√™ncia e o Globo Educa√ß√£o e criamos o Como Ser√°?, que √© muito bem sucedido. Mas eu n√£o ter essa a s√≠ndrome de autoria n√£o significa que n√£o seja vaidoso. Quero que a marca Globo seja t√£o amada quanto a Disney e t√£o admirada quanto o Google. 

Que ajustes voc√™s j√° precisaram fazer nessa estrat√©gia? 
Viridiana: Tudo que fazemos √© experimenta√ß√£o, s√£o conversas novas. Todos os projetos t√™m essa caracter√≠stica de "ajusta aqui, enfrenta uma pedreira ali". Estamos testando um modelo que a Globo nunca fez. Temos um planejamento, obviamente, at√© porque tudo custa e precisa passar por aprova√ß√£o, mas a partir da√≠, √© trabalhar com uma p√°gina em branco e ganhar corpo. Mas sabemos para onde queremos ir. S√©rgio: Acho legal ver como a Globo lida com o erro, est√° aberta ao erro, justamente porque busca o acerto. Claro que √© dif√≠cil, temos que enfrentar aquele questionamento de "mudar para que, se at√© agora fomos bem sucedidos?". Mas temos que mudar, sim. Porque a Globo pode ser muito mais do que ela √©. 

Qual √© a meta para o futuro? 
Sérgio: Ser uma das marcas mais amadas e desejadas do mundo.

Os projetos que voc√™s encampam s√£o apenas da TV Globo ou se expandem para outras empresas do grupo? 
Viridiana: Eles acabam respingando no Grupo Globo como um todo. J√° fizemos uma parceria com a revista Pequenas Empresas, Grandes Neg√≥cios na edi√ß√£o do Caderno Empreenda-se, temos um projeto de gera√ß√£o de conte√ļdo com a R√°dio Globo e, na Campus Party, est√°vamos todos juntos.

O que uma organiza√ß√£o desse tamanho j√° aprendeu, e ainda tem a aprender, com a Nova Economia? 
S√©rgio: Ainda temos muito pela frente. 

'Talvez o que a Globo mais esteja aprendendo √© justamente a n√£o saber. A Nova Economia n√£o tem medo de n√£o saber. Pelo contr√°rio, √© assim que faz as coisas.¬í¬í 

Como usar esse desconhecimento, sem perder o padr√£o Globo de qualidade? 
Inventar significa seguir caminhos desconhecidos, experimentar e n√£o ter medo do novo. O que trouxe a Globo at√© aqui foi o barco da inven√ß√£o, da f√© e da cren√ßa em valores fortes. Se pensarmos, quando o Roberto Marinho e o Boni come√ßaram essa hist√≥ria, a gente percebe que eles tamb√©m n√£o sabiam ¬Ė s√≥ que n√£o tiveram medo de seguir. 
Viridiana: Pois √©, o que o Roberto Marinho come√ßou l√° em 1965 foi uma startup. 

Falando sobre os projetos, quais s√£o os pr√≥ximos passos do Globo Lab? 
Viridiana: Neste m√™s de junho, os 20 jovens pr√©-selecionados far√£o uma imers√£o nos est√ļdios Globo para um processo de forma√ß√£o. V√£o colocar a m√£o na massa, em oficinas de projeto e de personagens, e depois defender seus projetos em bancas formadas por roteiristas da Globo. Chegaremos em 10 finalistas. No final, um deles ser√° selecionado para ter seu roteiro desenvolvido e exibido no GShow (aplicativo e canal digital de entretenimento da emissora). Nosso papel √© prover conhecimento, possibilitar a troca e ajudar os jovens a desenvolverem seus projetos. √Č um processo complexo, de troca e experimenta√ß√£o. 

O que mais est√° saindo do forno? 
Viridiana: Uma nova edi√ß√£o do Cadernos Globo, um projeto que consiste em publica√ß√Ķes peri√≥dicas, de leitura lenta e mais aprofundada, feitas para pesquisar, anotar e guardar. Estamos saindo com a nona edi√ß√£o, relacionada √† novela Velho Chico, sobre regionaliza√ß√£o e o rio S√£o Francisco. Para ter um tom de conversa, fizemos tamb√©m uma parceria com a Univasf (Universidade Federal do Vale do Rio S√£o Francisco), em que convidamos os jovens a produzirem minidocument√°rios contando hist√≥rias locais, e que ser√£o lan√ßados em Juazeiro, Bahia. Isso rendeu trabalhos emocionantes. O pr√≥ximo ser√° sobre as Olimp√≠adas, mas com uma pegada mais l√ļdica e po√©tica.

Outro projeto que integra a plataforma jovem √© o Papus. Como ele funciona? 
Viridiana: S√£o momentos de conversa. Mapeamos um tema, chamamos locutores de √°reas distintas da Globo, mediadores externos e jovens que fazem coisas interessantes. As pessoas saem encantadas dessas conversas. √Č um ambiente horizontal e de di√°logos muito francos. A pr√≥xima rodada dever√° acontecer no segundo semestre. J√° falamos de mobilidade, cidades, educa√ß√£o. 

'Os jovens vêm de peito aberto, muitas vezes discordam da gente, claro, mas a proposta é justamente estimular o diálogo.’’

No final de cada evento, a gente pergunta o que precisa melhorar e no que errou, e isso faz parte do amadurecimento de uma √°rea que est√° pensando em projetos novos. Como j√° dissemos, √© uma pedreira e n√£o d√° para fazer sozinho. √Č sempre na alian√ßa, na jun√ß√£o de ideias. Caso contr√°rio, n√£o funciona. 



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