Instituto Pensar - Economia criativa: a chave para ativar um futuro abundante

Economia criativa: a chave para ativar um futuro abundante

Um conceito muitas vezes incompreendido e com enorme potencial de transformação.

Assim é a Economia Criativa, termo comumente associado à criatividade e à produção cultural, mas que representa um universo infinitamente amplo de oportunidades e geração de riquezas.

O fato √© que a Economia Criativa √© muito mais do que solu√ß√Ķes criativas e produ√ß√£o cultural, e este √© o ponto chave para entend√™-la.

Ainda hoje o termo n√£o √© definido de forma un√Ęnime e apresenta diferentes entendimentos ao redor do mundo, apesar de que n√£o h√° d√ļvidas que o cerne de seu significado pode ser compreendido como a gera√ß√£o de valor a partir de recursos intang√≠veis como o conhecimento, a criatividade, o capital intelectual, o talento individual e a intelig√™ncia coletiva.

"Economia Criativa é um processo que gera valor a partir de recursos intangíveis, realizado por um ecossistema diverso." Lala Deheinzelin


Ao contr√°rio da ind√ļstria tradicional que entrega produtos e servi√ßos acabados, a Economia Criativa √© um processo que foca no potencial individual ou coletivo para produzir bens e servi√ßos, tang√≠veis ou intang√≠veis, gerando valor para as partes envolvidas.

A ORIGEM DO TERMO

O conceito de "ind√ļstria criativa", origem da Economia Criativa, surgiu na Austr√°lia em 1994 quando em um discurso chamado "Creative Nation", o Primeiro-Ministro australiano Paul Keating preocupava-se em como aproveitar as oportunidades geradas pela globaliza√ß√£o e pelas m√≠dias digitais como forma de potencializar a economia do pa√≠s e contribuir para o desenvolvimento da na√ß√£o a partir de sua identidade cultural, e deste pressuposto lan√ßou um conjunto de pol√≠ticas p√ļblicas baseadas na produ√ß√£o cultural e art√≠stica.

"The level of our creativity substantially determines our ability to adapt to new economic imperatives. It is a valuable export in itself and an essential accompaniment to the export of other commodities. It attracts tourists and students. It is essential to our economic success." Paul Keating


Em 1997, a ideia de ind√ļstrias criativas ganhou for√ßa na Inglaterra quando o Primeiro-Ministro Tony Blair criou uma for√ßa-tarefa multissetorial entre governo, empresas e criadores para estudar as riquezas culturais do pa√≠s e criar vantagens competitivas no cen√°rio global. Assim, desenvolveu-se uma forte ind√ļstria cultural que abriu caminho para o desenvolvimento e envolvimento com outras √°reas a partir dos valores culturais presentes na na√ß√£o.

Dessa forma, Austr√°lia e Inglaterra foram os primeiros pa√≠ses a utilizarem deliberadamente opotencial cultural e criativo de suas na√ß√Ķes atrav√©s de pol√≠ticas p√ļblicas para gerarem valor econ√īmico, e hoje lideram as estat√≠sticas em Economia Criativa.

"Dif√≠cil medir seu potencial multiplicador, mas o que se percebe √© que cada vez mais cresce em todo mundo sua participa√ß√£o no Produto Interno Bruto (PIB) da maioria dos pa√≠ses. E, nesta √©poca de grande competitividade, a criatividade ¬Ė mola-mestra da cultura ¬Ė √© o grande diferencial das atividades do mundo moderno. Ela gera inova√ß√£o, novos formatos dos produtos, novas aplica√ß√Ķes, novos p√ļblicos e novas linguagens. E pelo seu car√°ter de transversalidade, exerce uma fun√ß√£o integradora entre os setores (p√ļblico, privado, terceiro setor, institui√ß√Ķes de ensino etc.) que comp√Ķem o leque de constru√ß√£o do desenvolvimento de um pa√≠s." Dayse Maria Oslegher Lemos

A CULTURA COMO PONTO DE PARTIDA

Hoje, o conceito evoluiu e vai além da produção cultural e artística.

Na verdade, o próprio conceito de cultura foi ofuscado, pois é geralmente reduzido apenas ao entretenimento e belas artes, quando a cultura é a matriz, o DNA da sociedade.

Segundo uma das maiores autoridades em Economia Criativa no Brasil, a futurista e fluxonomista Lala Deheinzelin, "cultura é tudo aquilo que cria, e portanto transforma,mentalidades (o jeito de pensar) e hábitos (o jeito de fazer)".

A questão é que a Economia Criativa não é apenas geração de valor cultural e artístico. Mas, de fato, o seu ponto de partida é a cultura. Assim é possível dizer que a matéria-prima da Economia Criativa são recursos intangíveis.

Se hoje vivemos uma realidade de competi√ß√£o, baseada em recursos tang√≠veis como petr√≥leo, terra e a√ßo, e que se tornam escassos com o consumo, ao contr√°rio, os recursos intang√≠veis como conhecimento, cultura e experi√™ncia s√£o infinitos e se multiplicam com o uso, podendo gerar uma economia de abund√Ęncia.

Dessa forma a Economia Criativa pode ser entendida como a semente para ativar e criar valor a partir de recursos intangíveis.

A NATUREZA DA ECONOMIA CRIATIVA

A Economia Criativa √© exponencial, uma vez que os recursos se multiplicam com o uso, e pode ser potencializada a partir da sinergia com outras √°reas. A cada etapa do processo de cria√ß√£o mais valor √© adicionado, j√° que mais patrim√īnios intang√≠veis s√£o ativados. Quanto mais "camadas" adicionadas, maior √© o valor final.

Assim, a natureza da Economia Criativa √© a integra√ß√£o de diferentes √°reas e pessoas, contribuindo com seu valor intang√≠vel, para adicionar e gerar valor econ√īmico, social, cultural e ambiental.

Se a Economia Criativa é um processo baseado na ação integrada, quanto mais diverso for o ecossistema em que o processo está inserido, maior o seu potencial.

"A economia criativa consegue, portanto, por meio da agrega√ß√£o de tra√ßos de outros conceitos, um toque pr√≥prio e inovador. Da economia da experi√™ncia, reconhece o valor da originalidade, dos processos colaborativos e da preval√™ncia de aspectos intang√≠veis na gera√ß√£o de valor, sobretudo na cultura. Da economia do conhecimento, toma a √™nfase no trin√īmio tecnologia, qualifica√ß√£o de trabalho e gera√ß√£o de direitos de propriedade intelectual. E, da economia da cultura, prop√Ķe a valoriza√ß√£o da autenticidade e do intang√≠vel cultural √ļnico e inimit√°vel."

NOVA ERA

Hoje vivemos uma era pós-industrial, a economia da experiência.

Já passamos pela sociedade agrícola, sociedade industrial, era da informação e hoje chegamos à era da emoção, da colaboração.

Mesmo com base na Economia Colaborativa, não basta somente entregar produtos e serviços eficientes e de qualidade, é preciso proporcionar experiências, gerar emoção.

"Nossos desejos pessoais estão mudando, assim como nosso sentimento de realização, de colaboração e a forma como nos relacionamos. Como resultado dessa transformação, a economia também está mudando. Seu foco passa de produtos para serviços, de commodities para experiências e de preços fixos para descontos e, até, para o gratuito". John Howkins

Se antes o intangível era importante, no futuro vai ser mais ainda.

E este é mais um desafio e também uma oportunidade da Economia Criativa. Gerar experiências a partir do intangível. Atividades que geram emoção, que envolvam o usuário, que se baseiam na experiência para gerar valor.

A diferença está na experiência.

E ir além da experiência, contar histórias, tornar visível, criar narrativas.

CAR√ĀTER ESTRAT√ČGICO E OPORTUNIDADES

A Economia Criativa é muito ampla e permite identificar nichos e criar demandas, principalmente em um momento de transição.

√Č a base para o desenvolvimento de iniciativas de diversas natureza.

Sob a ótica do empreendedorismo, a Economia Criativa apresenta grandes oportunidades. Baixas barreiras de entrada, novos mercados, novas demandas, e pouca exigência de capital financeiro, mas muito em capital intelectual.

A tecnologia também é um fator que favorece quem deseja empreender pois dá acesso à informação, amplia os mercados e conecta os negócios com os usuários.

Olhando para o futuro, a Economia Criativa é estratégica pois pode ser uma alternativa a uma crise mundial de paradigmas, crise financeira e de sustentabilidade, que exigem novos modelos de desenvolvimento que considerem nossa interdependência.

Além disso, ela se baseia em recursos infinitos e que são abundantes mesmo em países subdesenvolvidos e emergentes, e em atividades que tem simultaneamente impactos simbólicos, financeiros, sociais e ambientais.

A Economia Criativa também é importante para a economia de um país pois é um setor com enorme potencial de crescimento e que pode se tornar um diferencial competitivo. Pode ser também a base de uma economia saudável, sendo fator estratégico para pequenas e médias empresas, e também gerando valor e riqueza para as classes mais pobres.

Para o desenvolvimento local, a Economia Criativa é estratégica pois é um fator chave nos processos de revitalização e qualificação de espaços urbanos e rurais, além de reduzir índices de violência e proporcionar desenvolvimento a partir de experiências comoturismo e entretenimento.

Do ponto de vista social e educativo, a Economia Criativa é importante pois qualifica o capital humano e promove o capital social, já que eleva a autoestima e confiança, possibilitando o desenvolvimento de competências essenciais como a cooperação,criatividade, inovação e adaptabilidade.

A Economia Criativa tamb√©m √© estrat√©gica do ponto de vista do trabalho, pois gera emprego e renda atrav√©s de uma nova forma de trabalhar, e mais do que isso, impacta profissionalmente outras atividades econ√īmicas, promovendo a evolu√ß√£o atrav√©s de neg√≥cios mais criativos, inovadores e que se apoiam em bases culturais.

"Al√©m dos benef√≠cios econ√īmicos, a economia criativa tamb√©m contribui significativamente para o desenvolvimento social. Seu potencial para gerar bem-estar, autoestima e qualidade de vida em indiv√≠duos e comunidades, por meio de atividades prazerosas e representativas das caracter√≠sticas de cada localidade, estimula o crescimento inclusivo e sustent√°vel". Relat√≥rio de Economia Criativa 2013


Portanto, o novo paradigma da Economia Criativa se refere a gerar bem comum, gerar trabalho e renda, inclus√£o social e produtiva, potencializar terceiro setor e economia solid√°ria, diversidade cultural, uso de novas tecnologias, novos modelos de gest√£o, novas linguagens, e principalmente desenvolvimento sustent√°vel da sociedade.

A CHAVE PARA O FUTURO

Muito mais que criatividade e economia, a Economia Criativa √© sobre utilizar recursos que todos n√≥s possu√≠mos, intelig√™ncia, cultura, criatividade, colabora√ß√£o para gerar valor, riqueza e experi√™ncias √ļnicas.

E este é o grande segredo, o grande desafio.

Usar o potencial de cria√ß√£o humano para conectar experi√™ncias √ļnicas a um nicho que a demande e gerar valor nas dimens√Ķes cultural, ambiental, social e financeira.

Difícil mas não impossível.

Descobrir qual seu talento √ļnico, dar visibilidade, criar um ecossistema, identificar seu nicho, contar hist√≥rias, criar experi√™ncias e entregar valor s√£o os passos para utilizar a Economia Criativa a seu favor.

Confiar, cuidar e cocriar s√£o o caminho.

A Economia Criativa é uma das chaves do futuro e da sustentabilidade.

√Č a pedra fundamental de criar os futuros desej√°veis.



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